Governo da Tunísia impõe toque de recolher após protestos

Medida foi tomada após mais um dia de confronto entre manifestantes e policiais

Associated Press

12 de janeiro de 2011 | 13h06

Lojas no centro de Túnis tiveram de ser fechadas por causa dos protestos. Foto: Hedi Ben Salem/AP

 

 

TÚNIS - O governo da Tunísia impôs um toque de recolher na capital do país e outras regiões próximas depois de semanas de violentos protestos em Túnis. O governo falou em um comunicado nesta quarta-feira, 12, que um toque de recolher será imposto das 20h às 6h (horário local). Este tipo de medida não é comum neste país norte africano.

 

Policiais e manifestantes entraram em confronto no centro da capital tunisina mais cedo nesta quarta trazendo instabilidade à porta do governo depois de quase um mês de protestos violentos, que representam o mais sério desafio ao presidente autocrático que governa o país há duas décadas com mão de ferro.

 

A polícia disparou gás lacrimogêneo contra centenas de manifestantes em um cruzamento principal de Túnis, levando-as a dispersar-se pelas ruas adjacentes. Lojas na região foram fechadas.

 

Não ficou imediatamente claro se houve feridos ou prisões.

 

Dois veículos do exército foram colocados no cruzamento, que fica ao lado da Embaixada da França.

 

Os confrontos começaram horas depois de o ministro do Interior ser despedido, uma ação que intensificou a sensação de incerteza e dúvidas sobre qual será o próximo passo do autocrático presidente Zine El Abidine Ben Ali - questionamentos que nunca foram colocados abertamente durante seu tempo no poder.

 

Os protestos contra o aumento do desemprego na Tunísia e a corrupção começaram depois que um jovem tentou se matar. As ordens de agitação foram espalhadas pelas redes sociais, como o Facebook, apesar do controle restrito dos meios de comunicação.

 

A começão no país gerou apreenção internacional. "Estamos preocupados com os distúrbios e a instabilidade e com o que parecem ser preocupações fundamentais das pessoas que estão protestando", disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em entrevista em Dubai à emissora de televisão Al-Jazira. "Parece que foi uma combinação de manifestações econômicas e políticas com a reação do governo, que infelizmente levou à morte de alguns manifestantes. Não estamos tomando partido, apenas esperamos que ocorra uma solução pacífica", comentou Hillary.

 

Hoje o primeiro-ministro da Tunísia, Mohamed Ghannouchi, anunciou a demissão do ministro do Interior e a libertação da maioria das pessoas detidas durante os tumultos. Ele também divulgou a criação de duas comissões de inquérito para analisar "os excessos cometidos durante dos distúrbios" e "a questão da corrupção e falhas cometidas por certos oficiais", diz um comunicado.

 

A nota afirma também que as duas casas do Parlamento serão convocadas para um sessão extraordinária amanhã para um "debate aberto" sobre as medidas anunciadas na segunda-feira pelo presidente Ben Ali, que incluem a criação de 300 mil empregos em dois anos. Segundo o primeiro-ministro Ghannouchi, o presidente destacou seu desejo de colocar em primeiro plano o "diálogo e a liberdade de expressão e associações pacíficas para que todos os partidos se envolvam na discussão dos problemas da nação".

 

Ben Ali, de 74 anos, já foi ministro do Interior e tomou o poder 23 anos atrás, após um sangrento golpe de Estado. Grupos de direitos humanos na criticam a falta de liberdade no país.

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