Maxar Technologies via AP
Maxar Technologies via AP

Governo da Ucrânia pede calma em meio a temores de guerra

A Rússia montou um acerco à Ucrânia com tropas e navios de guerra, e os Estados Unidos disseram na sexta-feira, 11, que uma invasão pode ocorrer a qualquer momento

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2022 | 07h57
Atualizado 12 de fevereiro de 2022 | 12h05

KIEV - O governo ucraniano pediu aos cidadãos neste sábado, 12, que permaneçam calmos e unidos, dizendo que as Forças Armadas estão prontas para repelir qualquer ataque ao país em meio à preocupação de que a Rússia possa estar pronta para invadir o país. 

"Agora é fundamental manter a calma e a união dentro do país e evitar ações que prejudiquem a estabilidade e semeem pânico", disse o Ministério das Relações Exteriores em comunicado. "As Forças Armadas da Ucrânia estão constantemente monitorando os desenvolvimentos e estão prontas para repelir qualquer invasão à integridade territorial e soberania da Ucrânia." 

Neste sábado, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, também afirmou que os avisos de um ataque russo ao seu país "provocam pânico e não ajudam" e pediu evidências firmes de uma invasão. "Todas essas informações estão causando pânico e não nos ajudam", disse o líder ucraniano a repórteres, acrescentando que, se alguém tiver dados adicionais sobre uma invasão, deve entregá-los.

A Rússia reuniu mais de 100 mil soldados perto de sua fronteira com a Ucrânia e os Estados Unidos disseram na sexta-feira, 11, que uma invasão pode ocorrer a qualquer momento

Washington também pediu aos seus cidadãos na Ucrânia que saíssem o mais rápido possível, um apelo ecoado por países como Reino Unido, Japão e Austrália. O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha também pediu neste sábado que seus cidadãos deixem a Ucrânia e só fiquem no país em caso de necessidade máxima. O Ministro das Relações Exteriores da Holanda, Wopke Hoekstra, recomendou que seus cidadãos abandonem a Ucrânia. 

Moscou nega planos de invasão, dizendo que está defendendo seus próprios interesses de segurança contra agressões de aliados da Otan. 

A Casa Branca confirmou na noite de sexta que o presidente americano, Joe Biden, conversará por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, neste sábado.  A informação foi divulgada depois que Washington revelou que a Rússia reuniu tropas suficientes perto da Ucrânia para lançar uma grande invasão nos próximos dias. 

Antes, Putin deve conversar com o presidente francês Emmanuel Macron. O francês foi à Rússia no início da semana como parte de um esforço diplomático para aliviar as tensões, mas não houve avanço nas conversas.

O secretário de Estado, Antony Blinken, também disse que conversaria com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

​Tensões antigas

A crise envolvendo a Ucrânia, Rússia, os Estados Unidos e a Otan já é antiga e tem origem no fim da Guerra Fria. Com o colapso dos regimes comunistas no Leste Europeu, a aliança militar entre europeus e americanos avançou rumo a leste, com países que antes eram da esfera soviética passando à zona de influência ocidental. Putin vê esse avanço como ameaça, em especial se a Ucrânia se tornar parte da Otan.

Fazer parte da aliança é um antigo desejo ucraniano, que vê na estratégia uma forma de se proteger das investidas russas. Uma vez parte da Otan, todo país que sofre alguma agressão recebe a ajuda imediata dos aliados. A Ucrânia se tornou uma candidata em 2018, mas não há uma definição de quando, e se, o país de fato fará parte. 

A disputa atual teve início em novembro do ano passado, mas foi acirrada nas últimas semanas, depois de mais uma rodada de negociações frustradas entre representantes das diplomacias americana, europeia e russa.

Em meio às negociações, o vice-chanceler russo, Serguei Ryabkov, chegou a afirmar que não poderia "nem confirmar, nem excluir" a possibilidade de envio de recursos militares para Cuba e Venezuela se as negociações falhassem e a pressão dos EUA sobre a Rússia aumentasse.

No começo desta semana, Moscou também iniciou um deslocamento de tropas para Belarus, na fronteira norte da Ucrânia, sob a justificativa de participação em exercícios militares que serão realizados em fevereiro. Navios de guerra também foram enviados ao Mar Negro, onde a Península da Crimeia tem sua costa.

  /REUTERS E AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.