Presidência da Venezuela / AFP
Presidência da Venezuela / AFP

Governo da Venezuela diz que US$ 50 milhões foram oferecidos a autores de suposto ataque a Maduro

Narrador de vídeos divulgados em rede obrigatória de rádio e televisão afirma que também foi oferecida estadia nos EUA aos responsáveis pela ação

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 09h08

CARACAS - O governo da Venezuela divulgou na terça-feira, 7, diversos vídeos apresentados como provas do suposto atentado sofrido no sábado pelo presidente Nicolás Maduro, e disse que foram oferecidos US$ 50 milhões aos autores da ação.

"Ofereceram US$ 50 milhões e estadia nos EUA (aos autores do ataque)", diz o narrador dos vídeos divulgados em uma rede obrigatória de rádio e televisão durante uma declaração feita por Maduro.

De acordo com o governo venezuelano, os autores do suposto ataque "receberam treinamentos sobre o uso de drones e explosivos em uma fazenda chamada Atalanta”, no município de Chinácota, departamento de Norte de Santander (Colômbia), "entre abril e junho deste ano".

Maduro disse que os "terroristas" se chamavam de "grupo número 2, grupo bravo" em suas comunicações internas, e receberam ordens para controlar dois drones com cargas explosivas e atentar contra sua vida e dos chefes políticos e militares que o acompanharam no sábado no palco, durante um ato público.

Ele também explicou que os drones continham estilhaços e buscavam provocar "a morte de todas as autoridades presentes no palco presidencial" durante o ato de aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militarizada).

‘Possíveis autores’

O governo apontou como "possíveis autores intelectuais" Rayder Alexander Russo Márquez, "conhecido como Pico, protegido na Colômbia", e Osman Alexis Delgado, ambos envolvidos no ataque a um forte venezuelano realizado em agosto de 2017.

A Promotoria venezuelana notificou esta semana que havia identificado "todos os autores" do incidente e que o governo divulgou as identidades de alguns dos listados. Entre eles estão o sargento reformado da GNB, Juan Carlos Monasterio, Yanina Pernía, Alberto Bracho, Argenis Valero Ruiz e Brayan Oropeza. Os dois últimos atuaram como pilotos dos drones.

O líder venezuelano mostrou fotografias de dois indivíduos identificados como Yilber Alberto Escalona e Gregorio José Yaguas, afirmando se tratar de dois "especialistas em explosivos", e pediu aos cidadãos que forneçam qualquer informação sobre o paradeiro deles.

Maduro também apontou o coronel reformado Oswaldo Valentín García como o "chefe dos assassinos" que planejavam matá-lo. "Ele está tentando captar militares para envolvê-los nas suas aventuras criminais. Trabalha diretamente com o governo de Juan Manuel Santos (ex-presidente colombiano)", ressaltou.

Em seu discurso, o presidente chavista também mencionou um oficial de imigração de nome Mauricio Jiménez Pinzón, encarregado, segundo ele, de garantir aos envolvidos o livre trânsito entre a Venezuela e Colômbia.

Maduro disse que alguns dos envolvidos foram presos em flagrante, outros alugaram um imóvel por sete meses em Caracas para realizar este plano, e que todos também tiveram ligação com a violência dos protestos contra o governo em 2014 e 2017. / EFE

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