Manaure Quintero/Efe
Manaure Quintero/Efe

Governo da Venezuela expulsará diplomatas paraguaios

Caracas 'tem uma forma peculiar de encarar as relações internacionais', disse chanceler paraguaio

AE, Agência Estado

17 de outubro de 2012 | 16h42

CARACAS - O governo da Venezuela expulsará os diplomatas do Paraguai, aos quais teria dado um prazo de 72 horas para deixarem seu território, disse nesta quarta-feira, 17, o encarregado de negócios na Embaixada do Paraguai em Caracas, Victor Casartelli.

 

A relação entre os dois países já estava estremecida desde junho, quando o Congresso do Paraguai destituiu o então presidente Fernando Lugo e nomeou o vice, Federico Franco, para o cargo. O Paraguai então retirou seu embaixador de Caracas e a relação diplomática foi rebaixada para o nível de chargé d''affaires (encarregado de negócios).

 

O Paraguai vetou a entrada da Venezuela no Mercosul, mas a adesão de Caracas ao bloco foi autorizada pelos presidentes da Argentina, Brasil e Uruguai após a suspensão do Paraguai do bloco, o que ocorreu por conta da destituição de Lugo.

 

"Na terça-feira, recebi uma chamada do vice-ministro para Assuntos Latinoamericanos e do Caribe. Uma funcionária me disse que tínhamos 72 horas para abandonar o país", disse Casartelli à emissora de rádio Primero de Marzo de Assunção. Casartelli disse que os quatro diplomatas paraguaios que estão em Caracas "não têm nada por escrito" do governo venezuelano exigindo a saída, mas afirmou que deixarão a Venezuela em breve.

 

'Forma peculiar'

 

O chanceler do Paraguai, José Félix Fernández, anunciou que seu país está "em tratativas com um país amigo para que cuide dos bens da nossa embaixada". Segundo ele, o governo da Venezuela tem uma "forma peculiar de encarar as relações internacionais, mas isso eu não julgarei". "O Paraguai tem outro estilo nas suas relações diplomáticas", disse. Fernández afirmou ainda que o Paraguai não pode controlar "os atos de outros governos que não se ajustam ao direito internacional", em referência à Venezuela.

 

O governo venezuelano não fez nenhum comentário sobre a possível expulsão. Na semana passada, após vencer as eleições presidenciais venezuelanas, Hugo Chávez nomeou o chanceler Nicolás Maduro para o cargo de vice-presidente, a ser exercido a partir de janeiro de 2013. Maduro foi acusado pelo atual governo paraguaio de tramar um golpe de Estado contra Franco, enquanto o Senado paraguaio destituía o ex-presidente Lugo em junho. Embora tenha condenado em termos fortes a destituição, Maduro negou ter contactado militares paraguaios para que Franco fosse preso. O chanceler venezuelano foi proibido pelo novo governo paraguaio de entrar no país.

 

Desde 2006, o Congresso do Paraguai barrava a adesão da Venezuela ao Mercosul. Agora, o Paraguai está suspenso do bloco até abril de 2013, quando realizará eleições presidenciais.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.