Governo de Abbas lidera festa; povo se mantém indiferente

Apesar de celebração oficial, moradores de Ramallah não têm esperança de que ação na ONU mude suas vidas substancialmente

GUILHERME RUSSO, ENVIADO ESPECIAL, RAMALLAH, CISJORDÂNIA, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2011 | 03h05

A Autoridade Palestina (AP) instalou ontem na Praça Al-Manara, a principal de Ramallah, capital da Cisjordânia, uma grande cadeira para simbolizar o futuro assento dos palestinos na ONU. O pedido de adesão como membro pleno da organização deve ser feito após o discurso do presidente Mahmoud Abbas na Assembleia-Geral, na sexta-feira. A votação, contudo, ainda não tem data definida.

Por todo o centro da cidade foram penduradas lâmpadas com as cores palestinas - vermelho, verde, branco e preto. Os carros, na maioria oficiais, também ostentavam bandeiras da Palestina. As imagens de Abbas e de seu antecessor, Yasser Arafat, fundador e líder histórico da Organização de Libertação da Palestina (OLP), que morreu em 2004, foram pintadas em carros de polícia com frases de apoio ao reconhecimento do Estado palestino na ONU.

Cerca de 20 pessoas acompanharam, sem muito ânimo, a instalação da grande cadeira por ativistas palestinos. Com pouco mais de 6 metros de altura e 3 de largura, ela ostenta a frase: "Direito da Palestina - integração plena nas Nações Unidas".

Em Hebron, no sul da Cisjordânia, o centro da cidade também estava repleto de bandeirinhas palestinas, cenário que lembrava o de uma festa junina. Até o bairro antigo, controlado por Israel, exibia mensagens favoráveis ao reconhecimento da Palestina na ONU.

Descrença geral. No entanto, a descrença e a desconfiança entre os cidadãos também predominavam. "Isso não passa de propaganda barata. O que precisamos é de liberdade de expressão real. Os EUA dirão 'não' (ao reconhecimento do Estado palestino como membro pleno na ONU) porque são amigos de Israel. Então, nada disso importa. O povo daqui não tem esperança", afirmou o fisioterapeuta Fady Youssef, de 22 anos.

"Quase todos os países dizem ser a favor da Palestina, mas seus atos dizem o contrário", afirmou o professor Arafat Mohamed, de 47 anos, diante da escola onde dá aulas, cujo muro também foi pintado para a campanha pela adesão da Palestina às Nações Unidas.

Nenhum dos palestinos abordados ontem pela reportagem do Estado, tanto em Ramallah quanto em Hebron, sabia da intenção da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, de incluir em seu discurso de abertura na Assembleia-Geral da ONU o pedido pela aceitação plena do Estado palestino. No entanto, assim que foram informados, fizeram questão de agradecer aos brasileiros.

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