Governo de Chávez diz ter retomado exportação de petróleo

O governo venezuelano anunciou hoje - no décimo dia de greve geral de protesto pela renúncia do presidente Hugo Chávez - ter "rompido o bloqueio" e retomado, pela primeira vez em vários dias, a exportação de petróleo para a Europa e Estados Unidos."Nossa indústria petrolífera rompeu o bloqueio imposto pelo boicote e nossas atividades de produção vão se normalizando, na medida em que começamos a despachar nossos navios petroleiros", disse o ministro de Energia da Venezuela, Rafael Ramírez. Ele afirmou que um primeiro petroleiro havia partido para os EUA, com 350 mil barris, na madrugada de hoje, e outros três navios se preparavam para partir. "Ninguém pode parar a Venezuela", acrescentou Ramírez. "Esse movimento violento e golpista está sendo derrotado."O ministro explicou ainda que as atividades externas e internas da PdVSA, a estatal petrolífera da Venezuela, estavam sendo restabelecidas "com o apoio irrestrito dos países da região, que forneceram respaldo técnico para a retomada da produção e com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) à democracia da Venezuela". Ramírez não esclareceu, no entanto, a quais países ele se referia, nem que tipo de apoio o governo venezuelano recebeu deles.As filas que se registravam nos últimos dias nos supermercados continuavam hoje, com a população em busca de alimentos para armazenar. Também se mantinham as concentrações diante das agências bancárias que, em apoio ao locaute, restringiram a três horas o horário de atendimento ao público. As filas nos postos de gasolina, entretanto, diminuíram consideravelmente.Os organizadores da greve geral - principalmente a maior federação de empresários do país, a Fedecámaras, e a central sindical Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV) - reuniram centenas de manifestantes numa concentração em Caracas. A multidão protestava contra uma série de ataques, atribuída a partidários do governo e iniciada na segunda-feira à noite, contra emissoras de TV privadas. SIP condena agressão A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou hoje, enfaticamente, os sistemáticos atos de agressão contra os meios de comunicação da Venezuela e instou as autoridades do país a "cumprir com sua missão de garantir a integridade física de seus cidadãos e adotar medidas indispensáveis para o livre exercício da imprensa?."Repudiamos a atitude ameaçadora e provocadora de partidários do governo contra os meios de comunicação. Os incidentes dos últimos dias confirmam a pouca tolerância e a falta de liberdade de expressão e de imprensa na Venezuela", afirmou o presidente da entidade, o mexicano Andrés García, em Miami.

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