Governo de facto quirguiz manterá base dos EUA

BISHKEK

Afp e Reuters, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

A chefe do governo interino do Quirguistão, Roza Otunbayeva, afirmou ontem que a base americana de Manas permanecerá no país, desmentindo as informações divulgadas pela imprensa internacional. "Não temos a intenção de mudar nada na base americana. Nossa prioridade é assegurar a estabilidade para nossos cidadãos. Não vamos mudar acordos existentes", disse.

O Exército americano anunciou ontem a suspensão do transporte de tropas para o Afeganistão. Segundo o Comando Central americano, os soldados serão levados a partir de campos de aviação no Kuwait.

A crise política no país ampliou as dúvidas sobre o destino da base de Manas, instalada após os ataques do 11 de Setembro e considerada crucial para a guerra no Afeganistão. O local é um dos principais pontos de rivalidade entre EUA e Rússia, pois contrapõe-se à influência de Moscou na Ásia Central.

No mês passado, cerca de 50 mil militares passaram por Manas. A base tem 1.100 militares. Cerca de 600 dos 750 funcionários são quirguizes.

As suspeitas de que o Kremlin teria apoiado os protestos da oposição, que derrubaram o governo do presidente Kurmanbek Bakiyev, aumentaram depois que o premiê Vladimir Putin foi o primeiro líder mundial a reconhecer o governo de facto. A Casa Branca manteve-se neutra.

Proposta de exílio. Roza pediu para que o presidente deposto abandone o país e afirmou que sua segurança será garantida se ele renunciar. Bakiyev disse que não pensa em renunciar e está disposto a negociar com os líderes da oposição para evitar uma guerra civil.

Pelo menos 75 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas quando a polícia abriu fogo contra manifestantes antigoverno na quarta-feira. Prédios governamentais foram invadidos e o presidente fugiu da capital.

Ontem, a população voltou à praça central de Bishkek, palco dos protestos, para prestar homenagem às vítimas.

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