Lam Yik Fei / The New York Times
Lam Yik Fei / The New York Times

Após protestos, Hong Kong suspende projeto de lei sobre extradições à China

Pequim expressou apoio à decisão, mas os líderes das manifestações disseram que vão manter as ações previstas para domingo

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2019 | 08h24
Atualizado 15 de junho de 2019 | 13h56

HONG KONG - O governo pró-Pequim de Hong Kong suspendeu neste sábado, 15, o projeto de lei sobre extradições à China, pressionado pelas manifestações da oposição, que decidiu manter a mobilização até a retirada total do texto.

"O governo decidiu suspender o procedimento de emenda legislativa, reativar nossa comunicação com todos os setores da sociedade, trabalhar mais (...) e ouvir as diferentes visões da sociedade", disse Carrie Lam, chefe do Executivo.

A China expressou apoio à decisão. "Nós apoiamos, respeitamos e compreendemos esta decisão", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, em um comunicado. 

Pouco depois do anúncio oficial, os líderes dos protestos informaram que vão manter a manifestação prevista para o domingo. "Temos de dizer ao governo que o povo de Hong Kong persistirá e manterá seus protestos até que o Executivo retire a lei", disse Jimmy Sham, da Frente Civil de Direitos Humanos.

Em 1997, o Reino Unido transferiu a soberania desta colônia para a China, com um status político e econômico especial

Hong Kong registrou cenas de grande violência na quarta-feira, quando a polícia dispersou com gás lacrimogêneo e balas de borracha milhares de manifestantes. 

Três dias antes, uma manifestação gigantesca de um milhão de pessoas exigiu a extinção da lei que, segundo seus críticos, deixaria as pessoas à mercê do sistema judicial da China continental. A nova manifestação aumentou a pressão sob Carrie Lam, mesmo dentro de suas fileiras, onde algumas vozes lhe pediram para recuar.

Neste sábado, em entrevista coletiva, a chefe do governo local anunciou a suspensão do projeto, afirmando que não havia data definida para reintroduzi-lo. "O conselho vai parar de trabalhar no projeto de lei até que tenhamos completado nossas explicações e ouvido as opiniões", disse. "Não pretendemos estabelecer um prazo para este trabalho." 

Segundo ela, a lei de extradição é necessária para resolver vácuos legais e evitar que Hong Kong se torne um refúgio para criminosos, mas admitiu que o governo subestimou a reação da opinião pública.

"Sinto um profundo pesar e lamento que as deficiências do nosso trabalho e outros fatores tenham despertado controvérsias substanciais e conflitos na sociedade após o período relativamente calmo dos últimos dois anos", afirmou.

Manifestante morre ao cair de prédio

Um manifestante que colocava um cartaz no alto de um prédio morreu neste sábado após perder o equilíbrio e cair, segundo a Autoridade de Saúde de Hong Kong. / AFP

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