Governo de Israel estuda ampliação da ofensiva no Líbano

O Gabinete para Assuntos de Segurança de Israel, presidido pelo primeiro-ministro Ehud Olmert, se reúne nesta quinta-feira para decidir sobre a intensificação da ofensiva contra a milícia islâmica do Hezbollah no Líbano. A reunião acontece após a milícia xiita impor, na quarta-feira, a maior baixa ao Exército de Israel em um só dia desde o início do conflito. Na cidade de Bint Jbail, reduto do Hezbollah, foram mortos nove soldados israelenses e 27 ficaram feridos. A imprensa local prevê que o Exército israelense estenderá a ofensiva a várias aldeias do sul do Líbano. O plano pode ser aprovado pelo Gabinete de Segurança, formado pelo vice-primeiro-ministro Shimon Peres, pelo ministro da Defesa Amir Peretz, de Relações Exteriores Tzipi Livni, Transportes general Shaul Mofaz, ex-chefe das Forças Armadas, e outras autoridades.Uma fonte do governo israelense, que não quis se identificar, citada pela rádio pública, prometeu que as operações "continuarão até a vitória". Olmert declarou na noite de quarta-feira a auxiliares próximos que "não haverá anúncio de quando a batalha vai terminar. O Hezbollah vai ficar sabendo pelo caminho mais difícil", informou a emissora de rádio.Oficiais e soldados israelenses do corpo de infantaria Golani foram mortos em violentos combates com os milicianos libaneses, travados nas localidades de Bint Jbeil e Maroun al-Ras. Os milicianos do "Partido de Deus", armados com foguetes antitanque, lança-granadas e armas automáticas, não informaram suas baixas. Fontes israelenses calculavam em "várias dezenas" os libaneses mortos.Segundo uma investigação militar, 30 combatentes do Hezbollah emboscaram as forças de infantaria do corpo Golani que entravam em Bint Jbeil. A maioria das baixas ocorreu logo no início da escaramuça.Só depois de seis horas de combate os israelenses conseguiram resgatar seus feridos, que foram levados para o hospital Maimônides (Rambam) de Haifa, três deles em estado grave. Na madrugada foram recolhidos os corpos dos mortos, informaram fontes militares.Ataques israelensesNa localidade fronteiriça de Bint Jbeil, continuam os violentos confrontos entre milicianos do Hezbollah e forças israelenses. Uma casa foi destruída na localidade de Jbaa. Na cidade de Tiro, pelo menos 16 pessoas foram feridas durante ataques noturnos. Pelo menos uma pessoa morreu e váriasforam feridas em diferentes regiões do Líbano pelos ataques israelenses, que entraram nesta quinta-feira em seu 16º dia, anunciaram fontespoliciais. Um policial morreu e outros dois foram feridos na região de Zahle, leste do país, quando um míssil disparado pela aviação israelense caiu perto de dois carros. Também no leste, duas pessoas foram feridas quando a aviação israelense bombardeou umcaminhão que transportava remédios. Outros três caminhões carregados de frutas foram alvo dos ataques israelenses numa estrada. Antes, a aviação israelense havia bombardeado um posto do Exército libanês na localidade de Amchit, no norte.Durante a madrugada desta quinta (horário local), a aviação israelense atacou 90 supostos alvos do Hezbollah em diferentes pontos do território libanês. Durante a manhã, a aviação continuava em ação no Vale de Bekka.Ações do HezbollahO coronel Alon Fridman, chefe de operações do Comando do Norte de Israel, informou que os guerrilheiros do Hezbollah já dispararam mais de 1.400 foguetes contra o norte de Israel, habitado por aproximadamente 1 milhão de civis, judeus e da minoria árabe.Dos 52 mortos em Israel, 19 são civis. Cerca de 1.200 também foram feridos ou afetados pelo pânico, e precisaram de assistência médica. "Esperamos conseguir nos próximos dias uma mudança na situação e na capacidade de ataque dos terroristas", disse Fridman.Na manhã desta quinta-feira (horário local), os milicianos libaneses atacaram a aldeia de Ma´alot, embora sem causar vítimas. Sirenes de alarme soaram em Safed e Karmi´el, mas não foi informado se as duas cidades foram atingidas pelos foguetes Katiusha. Por sua vez, em entrevista ao jornal argelino Liberté, o secretário-geral adjunto do Hezbollah, xeque Naeem Kasem, afirmou que o grupo xiita vai"combater até a última gota de sangue". O número dois do Hezbollah garantiu que seu grupo, definido como terrorista, "é uma formação política legal, que faz parte do atual governo (do Líbano) e conta com o apoio de uma grande fatia da população do país".Texto alterado para acréscimo de informações

Agencia Estado,

27 de julho de 2006 | 02h49

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