Governo de Israel fala em ampliar assentamentos

Contrariando os EUA, premiê quer acelerar construções na Cisjordânia

AP E FRANCE PRESSE, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, planeja acelerar a construção de centenas de novas casas em assentamentos judaicos no território palestino da Cisjordânia antes de congelar as construções por um período de seis a nove meses.

A revelação foi feita ontem por uma fonte anônima do governo israelense à agência France Presse e provocou duras críticas de Washington, da Autoridade Palestina e dos 27 países da União Europeia.

"O premiê fará com que sejam aprovados nos próximos dias projetos de construção nos assentamentos e só depois aceitará a suspensão (que poderia durar de seis a nove meses)", disse a fonte citada pela agência.

Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, criticou a decisão israelense. "Os EUA não aceitam a legitimidade da expansão contínua dos assentamentos. Trabalhamos para criar um clima que favoreça as negociações e essas medidas dificultam a criação deste clima."

O congelamento dos assentamentos na Cisjordânia é considerado por Washington condição indispensável para o sucesso da negociação de paz entre israelenses, palestinos e os países árabes.

Mas, ao contrário do que defendem os americanos, o plano de Netanyahu congelaria apenas os assentamentos onde vivem 300 mil israelenses na Cisjordânia. Outras 2,5 mil moradias já aprovadas pelo governo de Israel no mesmo local ficariam fora do acordo, assim como os edifícios públicos e os bairros de colonização israelense em Jerusalém Oriental, onde vivem 200 mil pessoas.

Em troca, ele espera que países árabes como Omã, Túnis e Marrocos aceitem a abertura de representações comerciais israelenses em seus territórios e o Catar permita a reabertura da representação israelense diplomática em sua capital, Doha.

"Nossa posição é absolutamente clara. Os assentamentos são ilegais e representam um impedimento para a paz", disse o chanceler britânico, David Miliband, em Estocolmo.

Em Paris, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse, depois de se reunir com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que a proposta israelense é "inaceitável".

Ele considera possível um encontro pessoal com Netanyahu para discutir sobre o acordo de paz, desde que Israel efetivamente congele os assentamentos na Cisjordânia.

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