Governo de Israel rejeita investigação internacional da ONU sobre flotilha

Segundo embaixador israelense em Washington, comissão de inquérito proposta por Ban Ki-moon não será acatada porque Tel-Aviv é uma democracia e 'tem o direito de investigar a si próprio'; recusa equivale a admissão de culpa, afirma Turquia

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2010 | 00h00

Bandeiras. Israelenses fazem ato em apoio ao cerco à Gaza

 

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Israel rejeitou a proposta da ONU de formar uma comissão internacional para investigar a morte em águas internacionais de nove ativistas pró-palestinos da frota que, há uma semana, tentou furar o bloqueio à Faixa de Gaza. A Turquia, de onde eram as vítimas, condenou duramente a decisão israelense e disse que a rejeição equivale a uma admissão de culpa.

 

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"Rejeitamos uma comissão internacional. Estamos discutindo com os EUA uma forma de investigação", disse o embaixador de Israel nos EUA, Michael Oren, em entrevista à rede de TV Fox News. Segundo o diplomata, "Israel é um país democrático e tem o direito de investigar a si próprio, sem a necessidade de uma comissão internacional".

A comissão foi proposta pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e seria liderada pelo ex-premiê da Nova Zelândia, Geoffrey Palmer. Ela incluiria representantes de Israel, Estados Unidos e Turquia.

Menos incisivo do que seu representante em Washington, o primeiro-ministro israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, discutiu no sábado a proposta com o número 1 da ONU. "Eu disse a Ban que a investigação dos fatos precisa ser feita com cuidado, sem comprometer os interesses nacionais de Israel e das Forças Armadas de Israel", afirmou ontem o premiê após reunir-se com seu gabinete.

Culpa. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, reagiu à decisão de Israel afirmando que a rejeição da investigação é uma forma de acobertar a ação contra a frota. Os dois países, tradicionais aliados no Oriente Médio, viram suas relações estremecerem nos últimos dois anos.

"Nós queremos conhecer os fatos. Se Israel os rejeita, isso significa uma prova de culpa. Eles não estão confiantes para enfrentar os fatos", disse o chanceler para a CNN.

Em conversa telefônica com Netanyahu, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, também pediu ao premiê israelense para que aceite a investigação internacional proposta pela ONU. Nos EUA, o governo de Barack Obama não se manifestou sobre a rejeição. Mas, em Washington, cresce nos círculos políticos e acadêmicos o debate sobre os riscos das ações de Israel para a política externa americana.

Na segunda-feira passada, uma frota levando ajuda humanitária tentou furar o bloqueio israelenses imposto a Gaza. Depois de iniciativas fracassadas de acordo, militares de Israel entraram nos barcos, ainda em águas internacionais, e mataram nove pessoas. Segundo os israelenses, os disparos foram feitos em legítima defesa, já que os ativistas estariam usando paus e facas para agredir os militares. Os responsáveis pela frota negam e denunciam a desproporção da reação israelense.

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