Governo de Mianmar acusa estrangeiros por ataques

Três atentados nas últimas 72 horas mataram pelo menos duas pessoas e feriram outras cinco

Agência Estado e Associated Press,

14 de janeiro de 2008 | 15h12

A junta que governa Mianmar acusou organizações estrangeiras pelos recentes ataques a bomba no país e pediu que a população informe sobre qualquer pista dos terroristas, segundo a edição desta segunda-feira, 14, do jornal estatal Myanma Ahlin. Três ataques a bomba ocorreram desde sexta em diferentes áreas matando duas pessoas e ferindo cinco. "Recebemos informação de que uma organização estrangeira enviou terroristas sabotadores com explosivos pela fronteira para realizar atos destrutivos no país", informou o jornal. Os artigos da mídia estatal são sempre controlados pelo governo e exprimem sua política e opiniões. A junta geralmente acusa estrangeiros pelos atos de violência, incluindo os protestos do ano passado, liderados por monges budistas, que o governo reprimiu violentamente. Depois de atirar contra manifestantes, a junta acusou potências ocidentais e a mídia estrangeira de incitar os protestos de setembro. Vários jornais publicaram que os recentes ataques foram realizados com "explosivos de origem americana". Os Estados Unidos e os países da União Européia, que adotam duras sanções contra Mianmar, são freqüentemente criticados pela imprensa. Ataques Uma explosão no domingo em um banheiro público de uma estação ferroviária de Rangum, a capital comercial do país, feriu uma mulher de 73 anos. Ninguém assumiu o ataque de domingo nem os dois de sexta-feira, quando uma das bomba explodiu em uma estação de trem da nova capital administrativa da junta, Naypyitaw, matando uma mulher de 40 anos, da etnia karen, de acordo com os jornais. Ainda na sexta-feira, uma bomba explodiu num cruzamento no município rural de Pyu, matando um homem e ferindo quatro civis. Segundo os jornais, o homem, de etnia karen, seria um separatista rebelde que estava colocando o explosivo. A União Nacional Karen combate há meio século o governo militar pedindo maior autonomia e é o principal grupo rebelde a não participar de um cessar-fogo com a junta. Terrorismo é raro em Mianmar, governada por militares quase continuamente desde 1962. O governo geralmente acusa os oponentes políticos e rebeldes étnicos por atentados a bomba, mas nunca apresentou evidências.

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