Governo de Mianmar insiste que resgate está indo bem

O regime militar de Mianmar disse naquinta-feira que os trabalhos de auxílio às vítimas do cicloneNargis transcorrem satisfatoriamente, enquanto potênciasmundiais alertam para a fome e as epidemias que podem afetar2,5 milhões de pessoas. O comissário (ministro) de Ajuda Humanitária da UniãoEuropéia, Louis Michel, reuniu-se com ministros birmaneses emYangon e pediu que eles autorizem a entrada de maisfuncionários e equipamentos estrangeiros. Saiu frustrado. "Vocês sabem, as relações entre Mianmar e a comunidadeinternacional são difíceis", disse ele à Reuters. "Mas isso nãoé problema meu. A hora não é para discussões políticas. É horade entregar ajuda para salvar vidas." Antes, os misteriosos generais sinalizaram que não vãoceder. "Já concluímos nossa primeira fase do auxílio deemergência. Estamos entrando na segunda fase, o estágio dareconstrução", disse o primeiro-ministro Thein Sein nestasemana a seu homólogo tailandês, segundo a TV estatal da antigaBirmânia. Paralelamente, a Junta Militar anunciou uma vitória maciçado "sim" no referendo sobre a nova Constituição, que dá maispoderes aos generais. A votação ocorreu na maior parte do país,apesar dos apelos da comunidade internacional para que fosseadiada. Quase duas semanas depois do ciclone que matou até 128 milpessoas no delta do rio Irrawaddy, a comida, os remédios e astendas para os sobreviventes chegam a conta-gotas. Em Bogalay, que fica no delta, os sobreviventes se queixamde trabalhos forçados e escassez de alimentos nos centros derefugiados do governo. "Eles quebram pedras nas construções.Recebem mil kyats por dia (1 dólar), mas não recebem comida",disse Ko Hla Min, que perdeu nove parentes na tempestade. Na vegetação junto à margem do rio em Bogalay, as pessoaspescam e se banham em meio a cadáveres em decomposição. A ONU diz que mais de 500 mil pessoas podem estar emabrigos e que 2,5 milhões precisam de ajuda. Osubsecretário-geral John Holmes vai a Mianmar na semana que vempara tentar convencer a Junta Militar a facilitar o acesso deestrangeiros ao delta. A TV estatal birmanesa elevou para 43.328 o número oficialde mortos, com 1.403 feridos e 27.838 desaparecidos.Especialistas independentes dizem que o número realprovavelmente é muito superior. (Reportagem adicional de Nopporn Wong-Anan e Darren Schuettler em Bangcoc)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.