Governo de Níger sofre tentativa de golpe de Estado

Explosões e disparos foram ouvidos na região do palácio presidencial em Niamei, capital do país africano

Reuters e Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 13h17

O governo do Níger está sofrendo uma tentativa de golpe de Estado nesta quinta-feira, 18, afirmou um alto funcionário francês. Segundo a fonte, o presidente Mamadou Tandja "não está em uma boa posição".

 

Fortes explosões foram ouvidas na capital Niamei, nesta quinta-feira, segundo testemunhas. Também há registros sobre disparos de armas automáticas perto do palácio presidencial. "Nós ouvimos disparos de armas automáticas e então grandes detonações", relatou Claire Deschamps, uma francesa que vive na capital do Níger. "Durou cerca de meia hora, sem parar", completou.

 

Outras testemunhas confirmaram os disparos nas proximidades do palácio presidencial. Soldados enviados para a área para conter a situação desertaram, segundo um correspondente da agência AFP na capital.

 

Fontes policiais disseram que os golpistas chegaram de fora da cidade em veículos blindados. O número de disparos foi diminuindo durante a tarde e um funcionário de dentro do palácio presidencial disse que a situação estava se normalizando.

 

Panorama

 

O Níger é um país africano bastante empobrecido, aparecendo entre os últimos no ranking do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Desde sua independência da França, em 1960, a nação sofre com uma série de golpes de Estado. Além disso, a economia em grande parte agrária é prejudicada pelas secas, comuns na região do Sahel africano.

 

Tandja foi muito criticado e recebeu sanções depois de dissolver o parlamento e promover uma reforma constitucional em 2009 que lhe deu mais poderes e estendeu seu mandato para além do segundo período de cinco anos que expirou em dezembro.

 

O referendo constitucional de agosto, condenado domestica e internacionalmente, extinguiu limites para a reeleição e lhe deu mais três anos além do mandato tradicional de cinco anos. A corte considerou a ação ilegal, e Tandja aboliu o parlamento, substituindo seus membros por seus próprios indicados.

 

Embora tenha enfrentado essas tensões políticas nos últimos anos, o Níger atraiu bilhões de dólares em investimentos de empresas do setor da mineração, incluindo grandes companhias francesas e canadenses.

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