AFP PHOTO / ROBYN BECK
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Governo Obama analisa pacote de sanções contra a Rússia

Medidas econômicas e diplomáticas seriam retaliação pela interferência de Moscou nas eleições americanas

O Estado de S. Paulo

28 Dezembro 2016 | 21h29

WASHINGTON - O governo de Barack Obama deve anunciar na semana que vem um pacote de sanções contra a Rússia, segundo informaram nesta quarta-feira, 28, a rede CNN e o jornal Washington Post. A medida seria em retaliação pelo fato de Moscou ter interferido nas eleições de novembro, violando e-mails de membros do Partido Democrata e prejudicando a candidatura de Hillary Clinton. 

Segundo o Washington Post, entre as retaliações avaliadas pela Casa Branca estão sanções econômicas e censura diplomática. Além disso, de acordo com o jornal, os EUA estariam planejando operações “secretas cibernéticas”. 

Em 2015, Obama assinou um decreto executivo que lhe dá autoridade para responder a ataques de hackers estrangeiros, mas o documento não inclui ingerência em eleições. Agora, a Casa Branca pretende atualizar o texto para tornar as eleições como parte da infraestrutura vital dos EUA. 

O objetivo seria fazer com que o próximo presidente, Donald Trump, tenha dificuldades para reverter as medidas adotadas por Obama após a posse, no dia 20 de janeiro. “Parte do objetivo é obter o máximo de apoio público e do Congresso para dificultar a revogação da lei”, disse um membro de alto escalão do governo, em condição de anonimato, ao Washington Post.

O senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, disse hoje que a Rússia e o presidente Vladimir Putin podem esperar sanções “duras” após os ciberataques durante a eleição presidencial americana. “Vocês podem esperar que o Congresso investigará o envolvimento russo nas nossas eleições e haverá sanções que atingirão a Rússia com força, e particularmente Putin como indivíduo”, disse Graham durante visita oficial à Letônia.

Autoridades russas negam as acusações de interferência na eleição de novembro, vencida por Donald Trump. “Francamente, lamentamos que continuem esta retórica de sanções”, disse hoje o porta-voz do presidente russo, Dimitri Peskov. “Quero acreditar que o bom senso predominará e essa retórica seja somente retórica.”

Novo ataque. Ainda hoje, o jornal Le Monde afirmou que a Rússia pode estar por trás de um ciberataque contra a sede da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). O jornal alertou ainda para a possibilidade de o governo de Putin tentar interferir nas eleições presidenciais da França e da Alemanha.

Segundo uma fonte não identificada pelo jornal, o ataque teria sido executado pelo grupo russo APT28, o mesmo que teria pirateado os e-mails de Hillary. O serviço secreto alemão afirmou temer que a chanceler Angela Merkel se torne alvo de hackers russos na sua campanha de reeleição. / W. Post, REUTERS e AP

 

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