Luca Piergiovanni/Efe
Luca Piergiovanni/Efe

Governo de Rajoy enfrenta primeira greve geral

Paralização vai ser de apenas um dia e deve contar com a adesão de 35% a 45% dos trabalhadores, segundo os analistas

Robson Morelli, enviado especial a Madri,

28 Março 2012 | 16h53

MADRI - O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, enfrenta a primeira greve geral, convocada pelos sindicatos contra a reforma trabalhista, ao cumprir os primeiros cem dias do governo centrados nas medidas para reduzir o déficit público.

 

Os dois sindicatos mais fortes da Espanha, as Comissões Operárias e União Geral de Trabalhadores, convocaram uma greve geral no país para esta quinta-feira, 29. A paralização vai ser de um dia apenas e deve contar com a adesão de 35% a 45% dos trabalhadores, segundo os analistas.

 

Os transportes públicos de cidades como Madri, por exemplo, vão funcionar com 30% de sua capacidade, o que deverá gerar muita demora e espera sobretudo nas estações de metrô. A promessa é de que o comércio também feche suas portas.

 

Até a tarde desta quarta-feira, 28, funcionários de restaurantes e bares ainda não sabiam se estavam liberados para aderir ao movimento grevista.

 

Segundo os dois líderes sindicais mais influentes do país, Ignacio Fernández Toxo (CC OO) e Cândido Méndez (UGT), motivos não faltam para parar a Espanha, que vive uma das crises econômicas mais agudas de sua história, com taxa de desemprego batendo nos 23%.

 

Só em Madri são 635 mil desempregados. Há no país 5,27 milhões de pessoas sem trabalho - 1 milhão a mais desde que o governo espanhol entrou em estado de alerta a reboque dos percalços financeiros da Grécia. De lá para cá, 3 milhões de trabalhadores perderam o posto. É possível ver nas ruas de Madri boa parte desses desempregados, alguns viraram pedintes em esquinas e no metrô. Mesmo assim, a ordem ainda prevalece na cidade.

 

As centrais sindicais informam que 2,6 milhões do total de desempregados na Espanha estão sem ter o que fazer a mais de um ano. Os mais atingidos são os jovens até 25 anos. Eles representam quase 50% do total de desempregados. Alguns deles passam o dia sentados nas praças e bancos das avenidas de Madri, quase sempre em grupos.

 

A sociedade espanhola se transforma de forma acelerada. E para pior. Restaurantes e lojas estão vazios em Madri a maior parte do expediente. Esse cenário contrasta com as ruas cada vez mais cheias.

 

Pedro Reques Velasco, catedrático de geografia humana da Universidade de Cantabria, informa em seu artigo no diário Cinco Días desta quarta-feira que desde 2.000, 900 mil cidadãos da classe média passaram a fazer parte dos mais desfavorecidos. Desceram na escala social.

 

Esta é a oitava greve geral que a Espanha faz nos últimos anos. A última foi em 2010. Dentre os problemas que motivaram a convocação da paralização há dois que ressaltam aos olhos dos líderes sindicais: o arroxo salarial dos que "ainda" estão empregados e falta de diálogo dos representantes dos trabalhadores com o governo. "O governo ignorou olimpicamente todas as nossas propostas. E os patrões estão se valendo e tentando se safar como mensageiros do medo", contestou Fernández Toxo, da CC OO. O sindicalista cobra uma reforma trabalhista profunda no país.

 

De acordo com os analistas políticos, o resultado da greve geral desta quinta-feira poderá fortalecer ou enfraquecer de vez os líderes sindicais. Se a paralização der em nada, o governo terá caminho aberto para recuperar o país do jeito que quiser.

 

Com Efe

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