Governo de transição da Somália pede envio de tropas da ONU

O governo de transição da Somália pediu hoje ao Conselho de Segurança da ONU o envio de tropas internacionais para desarmar a população e ajudar a estabelecer um governo estável. Em carta às Nações Unidas, o governo liderado pelo primeiro-ministro Hassan Abshir Farah afirmou não ser capaz de estabelecer um governo central na Somália sem a intervenção de uma força internacional que ajude a desarmar as diversas facções existentes no país. Farah disse em uma entrevista coletiva à imprensa internacional que seu governo necessita ?desesperadamente? de ajuda financeira. Ele explicou que a enorme quantidade de armas existente no país impede o estabelecimento de um governo estável, mas também desestabiliza os países vizinhos, como uma fonte ilegal de armamentos. O apelo sem precedentes de Farah acontece poucas semanas antes do segundo aniversário da instalação do governo de transição, que foi estabelecido por líderes de clãs e por empresários para trazer paz e estabilidade ao país, depois de anos de conflitos internos. Mas o governo não conseguiu dominar alguns líderes de poderosas facções, que possuem milícias privadas; apenas uma pequena porção do país vive sob o domínio do governo central. A Somália não tem um efetivo governo que domine todo o país desde que os líderes de oposição derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. Esses líderes passaram a lutar entre si. Uma força de paz da ONU esteve na Somália em 1992, para ajudar a entregar mantimentos para as vítimas da fome. Mas quando os Estados Unidos tentaram neutralizar um dos líderes de facções, sua ação acabou levando à Batalha de Mogadíscio, em 1993, em que 18 soldados americanos morreram. Depois disso, os Estados Unidos e a ONU não voltaram a tentar ajudar o país.

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