Governo descarta retirar contrato que causa protestos na França

O primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, descartou, em entrevista publicada nesta segunda-feira, a retirada do contrato que está motivando grandes manifestações no país, mas lamentou que o método utilizado para impô-lo tenha provocado a "incompreensão". "É preciso dar uma oportunidade ao CPE (o contrato para menores de 26 anos que permite sua demissão sem justificação nos primeiros 24 meses). Um CPE completo, melhorado, para responder às inquietações de cada um", afirmou Villepin ao semanário Citato. A entrevista, que foi feita no domingo, chega depois da grande manifestação de sábado, que segundo os sindicatos levou às ruas 1,5 milhão de pessoas (meio milhão, segundo as autoridades). O êxito da mobilização levou os sindicatos e organizações estudantis a lançarem um ultimato ao governo para que retire o CPE. Caso contrário, ameaçaram convocar uma greve geral. Os sindicatos e organizações estudantis se reunirão na tarde de hoje para decidir as novas ações de protesto contra o CPE, mas a Coordenação Nacional de estudantes votou de madrugada lançar um chamado à greve geral, ao mesmo tempo em que convocou dois dias de protesto para amanhã e Quinta-feira. O governo conservador reiterou sua convicção de que o CPE "funcionará" e "criará novos empregos", como já ocorreu com fórmulas contratuais anteriores do Executivo. O primeiro-ministro voltou a manifestar sua disposição ao diálogo para reformar o projeto e repetiu as possíveis melhoras que podem ser introduzidas. Também pediu que se avalie o plano dentro de seis meses. Em resposta às críticas de não haver consultado os interlocutores sociais antes de lançar o CPE, Villepin lamentou a "incompreensão" e afirmou que o governo "nunca pretendeu rejeitar o diálogo".

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 06h48

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