Governo desconhece pedido de asilo de Snowden e acredita em 'sondagem'

Chanceler Figueiredo deve se reunir hoje com Dilma para discutir reação a carta escrita pelo americano

Lisandra Paraguassu,

17 de dezembro de 2013 | 12h07

BRASÍLIA - O governo brasileiro afirmou hoje desconhecer qualquer pedido de asilo do ex-técnico da CIA Edward Snowden no País. A avaliação do governo é que Snowden, com a carta, está fazendo uma sondagem para ver a reação do governo brasileiro, já que o País foi a primeiro a ter uma reação mais dura às revelações de espionagem do governo, empresas e cidadãos.

O ministro das Relações Exteriores, Luis Alberto Figueiredo, deve falar ainda hoje com a presidente Dilma Rousseff para preparar uma reação formal do governo à carta. Dilma está em Pernambuco, onde participa da inauguração de uma plataforma petrolífera.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Snowden estaria disposto a auxiliar o governo brasileiro nas investigações de abusos cometidos pelo esquema de espionagem da NSA no Brasil, em troca de asilo político.

O ex-técnico da CIA escreveu uma carta aberta ao povo brasileiro na qual se compromete a auxiliar as investigações feitas no País sobre violações cometidas pela NSA, mas diz que, por não ter um asilo político permanente, sua capacidade de testemunhar está sujeita à interferência do governo americano.  Em nenhum trecho da carta, Snowden, que tem asilo temporário na Rússia até 2014, fala explicitamente em um pedido de asilo.

O jornalista americano Glenn Grennwald, autor das reportagens sobre a NSA e próximo de Snowden, negou, por meio de sua conta no Twitter a relação entre a carta e o pedido de asilo. “Não confie em relatos imprecisos de veículos de imprensa”, escreveu Greenwald. “Essa é uma grande oportunidade para vermos como a imprensa distorce as coisas. Esses veículos são incapazes de ler uma carta antes de escrever suas manchetes?”

O namorado de Glenn, o brasileiro David Miranda, no entanto, disse ao Estado nesta terça-feira que senadores brasileiros devem se mobilizar para pressionar o governo por um asilo permanente ao americano.

Snowden até hoje não enviou nenhum pedido de asilo nem ao Ministério das Relações Exteriores nem o entregou na embaixada brasileira em Moscou, onde vive hoje, o que seria o trâmite mais correto.

O americano já havia feito um pedido de asilo "genérico" ao País, logo que foi revelado o esquema de espionagem da National Security Agency americana, enviado a cerca de 50 países. Na época, o governo brasileiro não respondeu. Não chegou a negar, mas também não deu indicações de que poderia aceitar a presença do espião no Brasil, um ato que poderia afetar as relações diplomáticas com os EUA.

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