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Governo diz ter vencido rebeldes no Congo

Milícia M23 anuncia fim da luta armada e pega chefe das tropas da ONU de surpresa

ADRIANA CARRANCA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2013 | 02h11

O grupo rebelde M23, supostamente financiado por Ruanda para atuar na República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire), anunciou ontem que abandonaria as armas "imediatamente". O presidente congolês, Joseph Kabila, falou em vitória na guerra. Os insurgentes travam sucessivos confrontos contra o Exército desde março de 2012.

Procurado pelo Estado, o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, chefe das tropas de paz da ONU no Congo, foi pego de surpresa pelo anúncio. Ele estava em meio a um confronto contra os insurgentes nas Colinas de Chanzu, ao norte de Bunagana, último reduto do M23, na fronteira com Uganda. "Eles fizeram essa declaração, é? Eu não vi porque estou em campo, estou no meio de um combate em Chanzu, onde chegamos hoje (ontem) de manhã para dar apoio às Forças Armadas", disse, entre sons do que pareciam ser de tiros e a voz de soldados. "É um período muito crítico, de combates muito intensos, então, (esse anúncio) seria uma vitória importante."

Segundo o general, a decisão de pôr em campo as tropas de paz da ONU foi tomada após o M23 bombardear uma área civil em Bunagana. "Nossa ação é direcionada pelo mandato (da ONU), que é claro: proteger civis. Infelizmente, o M23 bombardeou uma área ontem e houve civis mortos e muitos feridos, então, tivemos de entrar em apoio ao Exército congolês."

O combate entre o M23 e o Exército se intensificou desde que o diálogo de paz, mediado por Uganda, em Kampala, fracassou. O principal ponto de discórdia foi a recusa de Kabila, com apoio da comunidade internacional, em conceder anistia aos líderes do M23, acusados de crimes contra a humanidade.

O anúncio do fim da insurgência foi feito pelo líder do grupo rebelde, Bertrand Bisimwa. "O M23 decidiu pôr fim à rebelião e buscar uma solução, por meios puramente políticos, para as causas que levaram a ela", disse Bisimwa, em Uganda, onde está escondido. O líder convocou seus comandantes a "preparar as tropas para o desarmamento e desmobilização." Os termos de um acordo, no entanto, ainda seriam negociados com o governo congolês.

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