Governo do Bahrein reage com contrainformação à revolução na web

Plantando vídeos e fotos falsas, as autoridades tentam controlar fluxo de notícias

Solly Boussidan, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

A mobilização de jovens como Ali e Adawivah contra o governo do Bahrein resultou em uma reação de contrainformação. "O Ministério do Interior, por exemplo, divulgou um tweet após um confronto no qual três pessoas morreram dizendo que a polícia havia sido atacada por 50 pessoas com espadas", conta Ali. O momento do choque, no entanto, havia sido filmado e foi parar no YouTube. "Viu-se claramente que os manifestantes estavam desarmados."

 

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Outra tentativa veio do ministro das Relações Exteriores, Khalid bin Ahmed bin Mohammed Al Khalifa, que divulgou uma foto de um manifestante atacando um policial. Em poucos minutos, a mobilização online provou que a imagem era de 2008. "O governo divulgou que não estava usando artilharia pesada para conter os manifestantes, só que eu mesmo filmei helicópteros sobrevoando meu prédio."

Ambos reconhecem, entretanto, que o auxílio da internet fica quase limitado à capital. "Nas vilas, o Exército é brutal e ninguém faz nada", diz Adawiyah.

Outro ponto importante é que o governo do Bahrein não poderia, simplesmente, desligar todas as conexões, como fizeram Egito e Líbia. O país possui diversas multinacionais instaladas que dependem da rede para seus negócios. No entanto, fontes ligadas ao governo local confirmam uma nova divisão do Exército que monitora os tuiteiros e blogueiros locais e tenta intimidá-los a parar de propagar o que chamam de "atos revolucionários contra a segurança nacional, promovidos por setores religiosos da população".

"Isso é um absurdo. Nenhuma das demandas dos manifestantes tem a ver com privilégios para uma ou outra divisão religiosa. Todas as demandas são políticas, mas mesmo em tempos de internet há ainda muito tabu e medo em se discutir as reformas ou criticar a realeza abertamente", diz Ali.

Para dar um exemplo, ele, que tem mais de 800 seguidores no Twitter, conta que, cada vez que postava qualquer coisa, por mais irrelevante que fosse, recebia entre 80 e 120 respostas ou reenvios de mensagens. "Resolvi jogar um tema forte na rede e tuitei: "Eleições diretas para premiê. Discutam". Não obtive sequer uma resposta ou reenvio de mensagem."

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