Rússia envia tropas de paz ao Casaquistão após protestos contra aumento do preço do gás

Rússia envia tropas de paz ao Casaquistão após protestos contra aumento do preço do gás

Presidente Kassym-Jomart Tokayev declara estado de emergência de 5 a 19 de janeiro em Almaty e na província produtora de petróleo de Mangystau

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2022 | 01h18
Atualizado 05 de janeiro de 2022 | 19h34

NURSULTAN - Soldados de paz de uma aliança liderada pela Rússia serão enviados ao Casaquistão para ajudar a estabilizar o país após protestos em massa que resultaram na morte de ao menos oito policiais e militares, segundo o Ministério do Interior casaque. Mais cedo, o presidente do Casaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, destituiu o governo e declarou estado de emergência até o dia 19.

Antes da confirmação do envio de tropas, o líder casaque pedira ajuda à Rússia para controlar os distúrbios violentos provocados pelo aumento do preço do gás. Segundo ele, grupos terroristas receberam treinamento no exterior para desestabilizar a nação da Ásia Central, um país rico em hidrocarbonetos.

A Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) é uma aliança militar liderada pela Rússia e integrada por outras cinco ex-repúblicas soviéticas: Armênia, Belarus, Casaquistão, Quirguistão e Tajiquistão.

Protestos de rua

Na noite desta terça-feira, 4, a polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de choque para expulsar centenas de manifestantes da praça principal de Almaty, a maior cidade da ex-república soviética, e os confrontos duraram horas nas áreas próximas. 

Tokayev declarou estado de emergência de 5 a 19 de janeiro em Almaty e na província produtora de petróleo de Mangystau (oeste) na manhã de quarta-feira e disse que provocadores nacionais e estrangeiros estão por trás da violência. Isto implicará a imposição de um toque de recolher nos dois territórios das 23h às 7h. 

Anteriormente, o presidente cazaque tinha se dirigido à população em um vídeo publicado nas redes sociais para pedir "prudência" e "não ceder às provocações".

Um jornalista da AFP em Almaty viu a polícia atirando bombas de efeito moral e gás lacrimogênio contra uma multidão de cerca de 5.000 pessoas que crescia à medida que marchava pelo centro desta cidade, repetindo palavras de ordem contra o governo e às vezes atacando veículos. 

Os serviços de mensagens WhatsApp, Telegram e Signal não funcionavam à noite no Casaquistão, um país onde esta categoria de concentração é pouco frequente. 

Os protestos começaram na província de Mangystau no domingo, após o levantamento dos limites de preço do gás liquefeito de petróleo, um combustível popular para carros, um dia antes, depois do qual seu preço mais que dobrou. / Reuters e AFP

 

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