Claudio Reyes/AFP
Claudio Reyes/AFP

Governo do Chile investiga possível interferência estrangeira em protestos

Ministro das Relações Exteriores, Teodoro Ribeira, afirmou que país detectou 'tráfego excessivo de Internet vindo de um país da Europa Oriental'

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 00h04

O governo chileno está investigando uma possível interferência estrangeira nos protestos que tomaram conta do país depois de detectar seis semanas atrás um 'excessivo' tráfego de internet vindo de um país da Europa Oriental, disse nesta terça-feira, 3, o ministro das Relações Exteriores do Chile, Teodoro Ribera. "Está sendo investigado pelas organizações internacionais chilenas se existe ou não interferência internacional direta", disse o ministro a repórteres nos portões do Congresso, na cidade de Valparaíso.

Ribera não especificou qual país estaria por trás da suposta interferência, mas disse que "nos dias após 18 de outubro havia uma parcela significativa do uso da Internet de um país da Europa Oriental para o Chile". "Há um tráfego excessivo na Internet, há a criação de perfis falsos em outros, mas ressalto que não há notícias, absolutamente nenhuma notícia de que hoje existam riscos internacionais para países e democracias", acrescentou, depois de participar de uma comissão parlamentar que estudava uma acusação constitucional contra o presidente Sebastián Piñera por supostas violações de direitos humanos nos protestos.

As declarações de Ribera ocorrem um dia depois que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, acusou Cuba e Venezuela de agitar protestos na América Latina e garantir que seu paísajudará 'governos legítimos' a impedir que protestos se tornem 'tumultos e violência'. "Continuaremos a apoiar países que tentarem impedir Cuba e Venezuela de seqüestrar esses protestos e trabalharemos com governos legítimos para impedir que protestos se transformem em tumultos e violências que não refletem a vontade democrática do povo", afirmou Pompeo em Kentucky.

O Chile está enfrentando, desde o dia 18 de outubro, a mais grave convulsão social desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Pelo menos 23 pessoas fora mortas e milhares ficaram feridas em protestos.  

O que começou como uma chamada para que estudantes chilenos entrassem furtivamente no metrô de Santiago para protestar contra o aumento da tarifa do transporte público se tornou uma revolta social que exige um modelo econômico mais justo e carece de líderes identificáveis.

As marchas, que começaram a ser massivas, estão perdendo força, embora ainda haja descontentamento nas ruas e episódios de violência extrema (saques, incêndios e destruição de móveis públicos), apesar das medidas sociais tímidas anunciadas pelo governo no início do crise e um acordo parlamentar histórico para mudar a Constituição. /EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Chile [América do Sul]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.