Governo do Hamas posiciona força militar em Gaza

O governo do Hamas posicionou ao longo da Faixa de Gaza nesta quarta-feira um exército de militantes islâmicos que se opõem à existência de Israel. A decisão desafiou o veto do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e inflamou uma luta de poder que ameaça levar os territórios palestinos ao caos. O grupo extremista e o presidente Abbas travam uma batalha pelo poder desde que o Hamas venceu as eleições parlamentares em janeiro. O presidente da ANP tentou se apresentar para o Ocidente como um mediador para a diplomacia e para angariar fundos para o governo, que passa por uma grave crise financeira. Como parte da disputa, Abbas assumiu o comando de todas as ramificações da segurança palestina. O Hamas respondeu anunciando que formaria uma força militar própria mesmo diante do veto do presidente. O grupo decidiu enviar a nova força para as ruas depois de uma série de tiroteios misteriosos em Gaza. O governo do Hamas culpou uma outra força de segurança palestina pelos ataques, que deixaram dois militantes do grupo mortos. Militante do Hamas afirmaram que o objetivo da força é levar ordem à Gaza, onde gangues de homens armados aterrorizam os cidadãos. Contudo, no seu primeiro dia na região, dezenas de membros das novas forças atacaram um protesto pacífico, atirando para o alto e ameaçando os manifestantes, informou uma testemunha. A medida deve prejudicar ainda mais a reputação do Hamas no cenário internacional, pois o líder da força, Jamal Abu Samhadana, é um dos mentores dos ataques de foguetes contra Israel e suspeito de participar de um bombardeio em 2003 contra um comboio dos Estados Unidos em Gaza. O Ministro do Interior palestino, Said Siyam, anunciou na quarta-feira que a unidade começa a operar imediatamente e que 3 mil militantes foram distribuídos em Gaza. Medida ilegalO porta-voz da Fatah, liderada por Abbas, Maher Mekdad, disse que a formação desta unidade é ilegal e viola o decreto presidencial. A polícia e as forças regulares receberam ordem de usar a força contra qualquer um que interferir em suas atividades. Um oficial de alto escalão da polícia disse que a ordem foi emitida levando em consideração a nova unidade militar. Não houve sinais de lutas internas, mas cerca de 40 membros das novas forças foram até o Ministério da Educação, em Khan Younis, e atiraram para o alto para impedir a realização de um protesto pacífico. Em seguida, entraram no prédio e intimidaram os manifestantes com bastões e rifles. Ataques O Hamas ativou a nova força apenas horas depois que homens mascarados mataram um membro do grupo em um tiroteio no campo de refugiados de Jabaliya. Na noite de terça-feira outro militante do Hamas foi morto em um ataque similar na Cidade de Gaza. Ninguém assumiu a responsabilidade pelos ataques que aconteceram logo depois que carros de membros da Fatah foram atacados na cidade de Gaza. O porta-voz do Hamas Mushir al-Masri acusou um ramo das forças de segurança ligado à Fatah de executar os ataques.

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