Saudi Press Agency/Reuters
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Governo do Iêmen e separatistas assinam acordo para compartilhar poder

Contrato foi assinado durante cerimônia na Arábia Saudita, país que mediou o acordo, dois meses após ataque dos rebeldes houthi a campo e refinaria de petróleo

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 21h54

IÊMEN - O governo do Iêmen e os separatistas do sul do país assinaram um acordo nesta terça-feira, 5, para compartilhar o poder e acabar com o conflito do país, que está devastado pela guerra. 

Os separatistas do sul são aliados das forças pró-governo na guerra que tem sido travada desde 2014 contra os rebeldes houthis, provenientes do norte e apoiados pelo Irã, o grande rival da Arábia Saudita. No último mês de setembro, os houthis atacaram a maior instalação de processamento de petróleo do mundo no país

A cerimônia de assinatura do contrato aconteceu na Arábia Saudita, que foi responsável por mediar o acordo. O evento teve participações do príncipe herdeiro do país, Mohammed Bin Salman, e do príncipe dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed.

No ato, o herdeiro saudita afirmou que o acordo abrirá um novo período de estabilidade no Iêmen. "É um dia feliz para a Arábia Saudita, já que os dois lados estão juntos", disse o príncipe. 

Segundo fontes políticas do Iêmen e da Arábia Saudita, o contrato, que foi anunciado no último dia 25 de outubro, quer integrar os separatistas do Conselho de Transição do Sul (STC) ao governo e seu retorno à cidade de Aden, até o momento controlada pelos separatistas.

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Desde 2015, uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita e seus aliados, particularmente os Emirados Árabes Unidos, intervém no Iêmen em apoio às forças pró-governo contra os houthis, que tomaram áreas inteiras do território, especialmente a capital, Saana.

Áden tornou-se, então, a capital provisória do país. A Arábia Saudita apadrinhou negociações entre os dois lados em Jedá, no oeste do reino. Essas forças, de acordo com a fonte, devem ser integradas nos Ministérios da Defesa e do Interior.

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, falou que a assinatura do contrato é um passo importante para avançar em direção a uma solução pacífica do conflito no Iêmen. "Ouvir as partes é importante para os esforços políticos que visam estabelecer a paz no país", relatou o representante. 

 Desconfiança continua 

Segundo analistas, o acordo acalma a situação no sul, mas as reivindicações separatistas podem reaparecer.

"A curto prazo, o acordo permitirá à coalizão permanecer unida e concentrar seus esforços na batalha contra os houthis", disse a pesquisadora de Oxford, Elisabeth Kendall. “As ambições do Sul não desaparecerão e a questão é se (separatistas) podem ser temporariamente controlados", acrescentou.

Segundo a ONU, o conflito causou a pior situação humanitária do mundo, com cerca de 3,3 milhões de pessoas deslocadas e 24,1 milhões necessitárias de assistência, o equivalente a 80% da população do país.

Apesar da guerra, os separatistas reivindicaram independência do sul do Iêmen, que era um estado independente até 1990. /AFP

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