Governo do Iraque anuncia prisão de 400 militantes xiitas

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, disse nesta quinta-feira que 400 combatentes do Exército Mahdi, milícia de um importante bloco de apoio ao seu governo, foram presos ao longo das últimas semanas. O anúncio é um claro sinal de que o Iraque espera mostrar que está fazendo sua parte para conter a violência sectária que divide o país. Também nesta quinta-feira, um porta-voz do governo iraquiano disse que os Estados Unidos não estão liberando verbas suficientes para equipar e treinar as forças iraquianas. Com a prisão dos 400 homens fiéis ao clérigo anti-americano Muqtada al-Sadr, o governo do Iraque procura deixa claro que não tolerará a promoção da violência sectária, mesmo quando incitada por forças que dão sustentação a seu governo. Estima-se que muito da violência que se observou a longo de 2006 no Iraque tenha sido provocada por homens do Exército Mahdi. Nesta quinta-feira, em Bagdá, bombas e homens armados mataram pelo menos 23 pessoas numa série de ataques durante as primeiras horas da manhã. A violência vêm no momento em que a capital iraquiana se prepara para receber uma planejada investida dos EUA e do Iraque na área da segurança, parte de uma nova estratégia anunciada pelo presidente americano, George W. Bush, no começo do mês.Além de anunciar o engajamento de mais 21,5 mil soldados para reforçar as forças americanas no país árabe, Bush afirmou que espera um maior comprometimento do governo iraquiano no combate a violência.Esta foi a primeira vez que o primeiro-ministro iraquiano, um xiita, entrou em detalhes quanto à milícia Exército Mahdi, que é leal à sua principal fonte de apoio, o clérigo radical Muqtada al-Sadr. Já Yassin Majid, um assessor de al-Maliki, disse que as informações de que importantes líderes milicianos foram detidos não são corretas. Declarações polêmciasComentando o novo plano de Bush para o Iraque em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Maliki disse que a situação no Iraque não seria tão dramática caso os americanos tivessem agido com maior rapidez. As declarações foram desmentidas por um porta-voz do governo."A situação seria muito melhor se os Estados Unidos tivessem enviado imediatamente para nossas forças de segurança armas e equipamentos mais adequados. Se eles tivessem se comprometido mais e com maior velocidade, teríamos muito menos mortes entre civis iraquianos e entre soldados americanos", teria dito Maliki em conversa com jornalistas.Entretanto, o premier não chegou a criticar abertamente o plano de Bush de enviar mais 21,5 mil soldados americanos para unirem-se aos 130 mil já presentes no país árabe."Temos de ver como a situação em campo vai se desenrolar", acrescentou, segundo Corriere della Sera. "Não podemos descartar que a situação irá melhorar dramaticamente, permitindo que as tropas dos EUA deixem o país em grande número em três ou seis meses."O gabinete do premier, no entanto, negou as declarações. "As informações que circularam na mídia acerca de declarações do primeiro-ministro relativas às relações com a administração americana são sem fundamento", disse um assessor do premier. Ainda assim, o porta-voz acrescentou que o orçamento militar do Iraque para este ano, de US$ 8 bilhões, não será suficiente para treinar, recrutar e equipar as forças iraquianas.Texto ampliado às 17h25

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