Governo do Paquistão anuncia morte de 140 militantes

O Exército paquistanês informou hoje ter matado 140 militantes em confrontos nas últimas 24 horas no Vale do Swat, no noroeste do país. O general Athar Abbas descreveu a ofensiva como uma operação de "escala total", que vai expulsar o Taleban da região. Ele não forneceu informações sobre mortes de civis. A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que meio milhão de pessoas já fugiram ou estão tentando fugir dos bombardeios no Vale do Swat.

AE-AP, Agencia Estado

08 de maio de 2009 | 11h33

Aviões paquistaneses sobrevoavam hoje a cidade de Mingora e bombardeavam posições militantes enquanto centenas de milhares de pessoas fugiam do local e outras, que não conseguem escapar, pediam uma pausa nos confrontos para que possam deixar a área. A ação militar é resultado de intensa pressão norte-americana sobre o Paquistão para que o governo combata o avanço dos militantes na direção da capital Islamabad, após o desmantelamento de um acordo de paz.

O Paquistão lançou pelo menos doze operações na região de fronteira nos últimos anos, mas a maioria delas acabou sem resultados efetivos depois de grande destruição e muitas mortes de civis. Para pôr fim a uma dessas ofensivas, o Paquistão assinou um acordo de paz no Vale do Swat que permitiu a instalação da lei islâmica na região. Mas o acordo se desfez no mês passado, quando membros do Taleban começaram a se dirigir para Buner, um distrito que fica a apenas cem quilômetros de Islamabad. A região continua sendo um porto seguro para militantes da Al-Qaeda e do Taleban, segundo governos estrangeiros.

O primeiro-ministro paquistanês pediu, ontem, ajuda internacional para a crescente crise de refugiados e prometeu derrotar os militantes na última operação. "Eu faço um apelo ao povo do Paquistão para que apoiem o governo e o Exército durante esse período crucial", disse o premier Yousuf Raza Gilani, em discurso na televisão. "Nós prometemos eliminar os elementos que destruíram a paz e a calma da nação e que querem tomar o Paquistão como refém."

Os militares afirmam ter percebido sinais de mudança do público em relação ao Taleban depois que os militantes usaram o acordo de paz para se reagruparem e avançarem. "O público viu sua face verdadeira", disse o general Athar Abbas. "Eles perceberam que seus objetivos vão muito além dos tribunais da Sharia. Eles querem ir além", afirmou. Ainda assim, o governo paquistanês vai enfrentar uma tarefa difícil na tentativa de manter o país apoiando suas forças de segurança.

Refugiados

O prefeito de Mardan, o principal distrito ao sul dos confrontos, disse que cerca de 250 mil pessoas fugiram nos últimos dias e que mais estão a caminho. Dessas, 4.500 estão em campos de refugiados. As demais estão com parentes ou em acomodações alugadas. Funcionários paquistaneses estimam que cerca de 500 mil pessoas deixem o Vale do Swat, número que se soma aos mais de 500 mil que já deixaram outros pontos da fronteira com o Afeganistão.

As operações militares ocorrem em três distritos que totalizam uma área de mil quilômetros quadrados. A maior parte dos confrontos tem ocorrido na principal cidade do Vale do Swat, Mingora, onde havia 360 mil moradores antes do início da insurgência, dois anos atrás. O general Athar Abbas disse hoje que 140 militantes foram mortos nas últimas 24 horas, além dos cerca de 150 que já haviam sido registrados. Ele não falou sobre mortes de civis, mas testemunhas e meios de comunicação locais disseram que não-combatentes também foram mortos.

Dezenas de milhares de pessoas continuam sem conseguir deixar Mingora. Algumas dizem que o Taleban as impede de fugir, talvez porque queiram usá-las como "escudos humanos" e fazer com que o Exército desista de usar sua força. "Nós queremos sair da cidade, mas não podemos por causa dos confrontos", disse o morador Hidayat Ullah. "Nós seremos mortos, nossas crianças serão mortas, nossas mulheres serão mortas e o Taleban vai escapar", afirmou. "Matem os terroristas, mas não nos machuquem", suplicou ele.

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