Governo do Paquistão critica suspensão da Commonwealth

Comunidade Britânica expulsa o pais e exige que o presidente Musharraf revogue o estado de emergência

Agências internacionais,

23 de novembro de 2007 | 08h17

O governo paquistanês considerou nesta sexta-feira, 23, "irracional e injustificada" a decisão da Comunidade Britânica (Commonwealth, em inglês) de suspender o Paquistão devido ao estado de emergência em vigor desde 3 de novembro.  Veja também:Commonwealth suspende Paquistão por estado de emergência  A decisão de suspender o Paquistão foi tomada nesta quinta-feira à noite, em Campala, capital de Uganda, pelo Comitê de Ação Ministerial da Commonwealth (CMAG). A cúpula de países-membros da Comunidade das Nações, formada por 53 países, começa nesta sexta. A suspensão foi acompanhada por um pedido para que o Paquistão "retorne à democracia". O país também deverá cumprir outras exigências para retornar à Comunidade Britânica, entre elas a libertação dos prisioneiros políticos detidos após a declaração do estado de emergência e a renúncia do general Musharraf ao cargo de comandante das Forças Armadas. Mas o Ministério de Relações Exteriores paquistanês respondeu com um duro comunicado, afirmando que a decisão não leva em conta as condições objetivas do país. "O ritmo do progresso rumo à normalidade será determinado pela realidade e pelas condições legais no Paquistão, mais do que pelas exigências pouco realistas vindas do exterior", afirmou o governo paquistanês em nota. O Ministério acrescentou que o Paquistão é um país "comprometido" com a democracia, e que a declaração do estado de exceção foi uma medida necessária para evitar uma "séria crise interna". O comunicado destacou a nomeação de um governo provisório para realizar eleições livres e imparciais, marcadas para 8 de janeiro de 2008. A Commonwealth, formada por 53 países, tinha dado 10 dias de prazo para que Musharraf suspendesse o decreto. Até os Estados Unidos, aliados de Musharraf, estão pressionando o presidente para que estado de exceção seja suspenso antes das eleições de 8 de janeiro e pela libertação dos milhares de prisioneiros políticos. O estado de exceção aplicado no Paquistão representa "uma grave violação dos valores políticos fundamentais da Commonwealth", acrescentou o secretário-geral da associação, Don McKinnonem entrevista coletiva, após uma reunião ministerial. Segundo a BBC, esta é a segunda vez que o Paquistão é expulso do grupo de países. A primeira foi em 1999, quando o general Musharraf tomou o poder em um golpe. O país retornou ao grupo em 2004. Oposição ao governo O ex-primeiro-ministro do Paquistão Nawaz Sharif, atualmente no exílio, voltará ao seu país "em cinco dias", segundo informou nesta sexta uma fonte de seu partido, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N). Ele acrescentou ainda que o ex-primeiro-ministro voltará acompanhado de toda a sua família. Segundo o porta-voz do partido, Ahsan Iqbal, Sharif está conversando com o rei Abdullah, da Arábia Saudita, país onde se encontra exilado. Há três dias, o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, também visitou o monarca. "Musharraf me garantiu que não permitirá a volta de Sharif antes das eleições de 8 de janeiro", disse porém Chaudhry Shujaat Hussain, presidente do partido PML-Q, aliado do presidente, em declarações ao canal Dawn. O ex-premiê é um dos maiores críticos do presidente paquistanês Pervez Musharraf. Seu retorno ao Paquistão pode representar uma grande desafio político ao partido que apóia Musharraf e ao partido da líder oposicionista Benazir Bhutto. Outra ex-premiê, a aliada dos EUA Benazir Bhutto, também voltou ao Paquistão recentemente depois de oito anos de exílio. A Suprema Corte do Paquistão rejeitou na quinta-feira a última ação legal contra a recente reeleição de Musharraf e abriu caminho para que ele seja confirmado no cargo. Decisões semelhantes já haviam sido tomadas no início da semana contra outras cinco ações. A decisão, em tese, abre caminho para que o general Musharraf deixe o cargo de comandante do Exército. O presidente paquistanês já prometeu em diferentes ocasiões que, caso tivesse sua eleição confirmada, deixaria o comando do Exército e assumiria o posto como civil. A corte que tomou a decisão é composta por juízes que foram indicados ao posto por Musharraf, após ele ter decretado estado de emergência e enviado para prisão ou para casa os juízes considerados independentes. Na opinião de observadores políticos, o presidente decretou o estado de emergência por avaliar que a Suprema Corte estava prestes a emitir uma decisão contrária à sua reeleição.

Tudo o que sabemos sobre:
PaquistãoMusharraf

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.