Governo do Paquistão faz advertência a grupos islâmicos

O ministro do Interior do Paquistão advertiu hoje grupos islâmicos para não recorrerem à violência durante uma planejada greve nacional esta semana, dizendo que o governo não irá tolerar "sedição e anarquia". "Temos permitido que os partidos religiosos expressem seus pontos de vista", disse o ministro Moinuddin Haider à Associated Press. "Temos demonstrado muita tolerância, paciência e magnanimidade apesar de ser um governo militar". Entretanto, acrescentou, "os extremistas estão tentando minar a autoridade do governo". Haider afirmou que o governo agirá com decisão caso os protestos se tornem violentos. "Não podemos tolerar sedição. Não podemos encorajar a anarquia". Ativistas islâmicos estão revoltados com a decisão do governo militar de apoiar a campanha liderada pelos Estados Unidos contra o Taleban no Afeganistão por sua recusa em entregar o suposto terrorista Osama bin Laden. O Conselho de Defesa Afegão, uma aliança de 35 grupos islâmicos, convocou uma greve nacional para sexta-feira - o dia sagrado muçulmano. A greve coincide com um feriado nacional, que comemora o 125º aniversário do poeta paquistanês Mohammed Iqbal. Protestos têm sido promovidos semanalmente desde que o Paquistão declarou apoio à campanha antiterrorista. Os 145 milhões de habitantes do Paquistão são, em sua imensa maioria, muçulmanos, mas a participação nos protestos tem sido relativamente pequena. Haider, um general da reserva, disse que os protestos têm sido convocados por uma "fração de paquistaneses". "Inicialmente, eles começaram com uma animação, atacando e incendiando escritórios de grupos humanitários, cinemas, postos dos correios, delegacias de polícia e outras propriedades públicas e privadas", afirmou. Entretanto, continuou, os protestos diminuíram em tamanho e freqüência. O governo tem detido muitos ativistas e colocou sob prisão domiciliar e restringiu as viagens de dezenas de líderes. Os principais partidos políticos têm apoiado a posição do governo em relação ao terrorismo, e ao mesmo tempo pedem o retorno da democracia. O atual presidente, general Pervez Musharraf, tomou o poder num golpe militar em outubro de 1999. "Alguns líderes religiosos estão ameaçando assaltar Islamabad, enquanto outros pedem a generais do Exército para se revoltarem", acusou Haider. "Isso é sedição. Nenhum governo pode tolerar isso". O governo já deteve os líderes do Jamaat-e-Islami, Qazi Hussain Ahmed, e do Jamiat Ulema-e-Islam, Maulana Fazal-ur Rehamn, e os acusou de sedição. Eles podem ser condenados à prisão perpétua. Vários de seus partidários também estão presos sob acusação de promover a violência. O governo deportou igualmente 42 refugiados afegãos que participaram de protestos violentos.

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