Governo do Paquistão pode decretar 'estado de emergência'

Ameaças internas e externas ao país e problemas de segurança fazem Musharraf não descartar a possibilidade

Agência Estado e Associated Press,

09 de agosto de 2007 | 03h51

O governo do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, não descarta a possibilidade de decretar o "estado de emergência" devido a "ameaças externas e internas" ao país e à deterioração da segurança no noroeste, ameaçado pela insurgência islâmica, disse na madrugada da quinta-feira (horário local) um porta-voz do governo. Tariq Azim, ministro da Informação, disse que as reportagens da imprensa paquistanesa de que o presidente Musharraf decretará em breve o "estado de emergência" não estão confirmadas, mas acrescentou que essa possibilidade já foi discutida e "até agora, não foi tomada uma decisão firme." "Essas são reportagens não confirmadas, embora a possibilidade do estado de emergência ser decretado não ter sido descartada. Falamos sobre isso tendo em conta as ameaças internas e externas e a situação de segurança," disse ele à Associated Press. Azim aludiu às campanhas militares recentes lançadas contra os militantes islâmicos nas regiões fronteiriças ao Ocidente, perto do Afeganistão. Segundo ele, muitos soldados do exército regular morreram nessas campanhas. Azim afirma que declarações recentes feitas por políticos americanos importantes em Washington fizeram soar "o alarme e perturbaram a opinião pública paquistanesa." Nessas declarações, políticos americanos, entre eles o pré-candidato do Partido Democrata à presidência Barack Obama, disseram que não hesitariam em lançar um ataque unilateral contra a organização terrorista Al-Qaeda em território paquistanês.  Um assessor do presidente Musharraf, que pediu para não ser identificado, disse que o mandatário está reunido na madrugada da quinta-feira com ministros, o procurador-geral e integrantes do seu partido político, para decidir se declarará, durante a quinta-feira, 9, o estado de emergência. "Não posso dizer que será nesta madrugada, na manhã ou mais adiante," disse. "Esperamos que o estado de emergência não seja declarado. Mas atravessamos circunstâncias muito difíceis, de maneira que a emergência não pode ser descartada." Horas antes, na quarta-feira, Musharraf cancelou uma viagem ao Afeganistão prevista para a quinta-feira. Em Cabul, ele participaria de uma conferência de paz com chefes tribais, patrocinada pelos Estados Unidos.

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