Governo do Paquistão reprime protestos e liberta ex-premiê

Impedida de liderar manifestações contra presidente, Benazir Bhutto passa o dia em prisão domiciliar

Agências internacionais,

09 de novembro de 2007 | 14h31

As forças de segurança paquistanesas reprimiram com gás lacrimogêneo um protesto convocado pela ex-primeira-ministra Benazir Bhutto na cidade de Rawalpindi nesta sexta-feira, 9. A líder da oposição foi colocada em prisão domiciliar para que não participasse das manifestações, mas no final do dia teve sua libertação autorizada  Veja também: A cronologia do estado de emergência  Explosão na casa de ministro mata quatroEx-premiê é colocada em prisão domiciliarOposição denuncia prisão de simpatizantes Paquistão promete eleições até fevereiroO canal Geo TV mostrou imagens dos agentes lançando gás lacrimogêneo e reprimindo os membros do Partido do Povo do Paquistão (PPP) de Bhutto. A ex-premiê disse à BBC que seus partidários vão continuar com a campanha exigindo o fim do estado de emergência decretado pelo governo e o afastamento do presidente Pervez Musharraf da chefia do Exército. A prisão domiciliar de Bhutto acontece no mesmo dia em que um ataque terrorista foi perpetrado contra a residência de um ministro paquistanês. Este foi o primeiro atentado no Paquistão desde a instalação do estado de emergênica, há uma semana. A explosão - possivelmente um ataque suicida - teve como alvo a casa do ministro de Assuntos Políticos paquistanês em Peshawar, no noroeste do país. O ministro saiu ileso, mas quatro pessoas morreram. Ainda não está claro quem foi o responsável pelo ataque e nem se ele tem alguma relação aos acontecimentos desta sexta-feira. Bhutto, que foi impedida de sair de casa para participar do protesto, tinha convocado para esta sexta-feira uma manifestação contra o Estado de exceção imposto pelo presidente Musharraf. "Não tenho medo da morte", disse aos jornalistas a ex-primeira-ministra paquistanesa.A ex-premiê recebeu uma intimação determinando sua detenção por 30 dias quando tentava sair de sua casa na capital do país, Islamabad, para se dirigir ao comício convocado pelo seu partido (Partido do Povo Paquistanês - PPP). Os militares argumentam que ela foi impedida de sair para "a sua própria segurança".Logo depois de decrata a prisão, o governo dos Estados Unidos exigiu que as autoridades paquistanesas abandonassem o cerco.A polícia afirmou que suicidas planejavam atacar na manifestação de Rawalpindi. Em outubro, Bhutto sobreviveu a uma tentativa de assassinato em Karachi, na qual cerca de 140 pessoas morreram.Policiais também bloquearam as estradas principais para Rawalpindi e fecharam ruas em volta do local da manifestação, que estava marcada para as 13h (local, 6h em Brasília). Concentrações públicas estão proibidas no Paquistão sob o atual estado de emergência imposto sábado passado no país pelo presidente Musharraf.CensuraA polícia paquistanesa supostamente deteve uma das mais importantes ativistas dos direitos humanos do país, Asma Jahangir, durante uma entrevista por telefone com a rede "NTV-MSNBC", informou à Agência Efe em Istambul uma jornalista turca.A jornalista Afsin Yurdakul, que denunciou o incidente à ONG Repórteres Sem Fronteiras, explicou à Efe que a conversa por telefone de quarta-feira foi interrompida no meio da entrevista que mantinha com Jahangir, colocado em prisão domiciliar pelo regime de Pervez Musharraf.Ao tentar se conectar de novo com Jahangir, um homem que não se identificou respondeu à jornalista turca que a polícia tinha entrado na casa da ativista e que esta não poderia mais falar ao telefone.Durante a entrevista, Jahangir tinha explicado que não podia sair de casa por motivo algum devido à prisão domiciliar, nem receber visitas, com exceção de uma pessoa que se encarregava de comprar o necessário para sua sobrevivência diária. Matéria atualizada às 15h45.

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