Sebastian ENRIQUEZ / AFP
Sebastian ENRIQUEZ / AFP

Governo do Peru nega que haja subnotificação em casos de coronavírus

País tem 31.190 casos de coronavírus registrados, mas imprensa mostrou que dados estariam abaixo do número real

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 09h19

LIMA - O governo do Peru negou na terça-feira, 28, que estaria apresentando um números de morte inferior aos reais para a pandemia de covid-19, após um jornal questionar esses dados e uma grande controvérsia crescer no país. O ministro da Saúde, Víctor Zamora, considerou que a era "tendenciosa" e disse que a veracidade dos dados oferecidos diariamente são "um dos pilares da gerenciamento atual".

"A publicação lança uma suspeita de que os dados que o ministério da Saúde está administrando não são transparentes ou (são) manipulados, o que negamos veementemente", disse.

Repórteres da IDL, um dos meios investigativos mais reconhecidos no Peru, questionaram os números oficiais de que, em 24 de abril, um total de 634 mortes foram relatadas em todo o país, enquanto sua investigação descobriu que casas funerárias e dois crematórios haviam registrado 1.073 falecidos confirmados apenas em Lima e Callao, principal porto do país.

A publicação do IDL gerou grande controvérsia no país e fez o Executivo adiar a publicação de dados diária usual da pandemia. Em sua apresentação à imprensa, o ministro anunciou a expansão das atividades de informação "para os cidadãos, a academia e a mídia para que todos tenham acesso permanente a todas as fontes". 

Nesse sentido, o ministério da Saúde (Minsa) relatou que o país alcançou 31.190 casos de covid-19 e 854 mortes. O país processou um total de 267.612 testes para detectar a doença. Entre os infectados, 4.088 foram hospitalizados, sendo 600 destes em unidades de terapia intensiva (UTI), enquanto outros 9.179 pessoas receberam alta ou completaram seu período de isolamento domiciliar da doença.

O ministro assegurou que os dados fornecidos no Peru não estão isolados, mas seguem acordos existentes, são compartilhados e registrados internacionalmente, já que "a informação é muito valiosa para tomar decisões em um país e no mundo inteiro ". Nesse sentido, ele considerou que "o pior" que pode acontecer em uma pandemia é, além do medo, a suspeita e a dúvida. 

Na conferência de imprensa, o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Peru, Rubén Mayorga, comentou que nessas circunstâncias se vão represando as mortes por cremação, já que o sistema não está preparado para receber o grande número de falecidos. Depois de dar um exemplo da situação semelhante que o Equador enfrentou, Mayorga considerou que "o importante dessa pandemia é que permitirá ao país projetar um sistema de saúde único".

Por sua parte, o ex-ministro Pilar Mazzetti, chefe do Comando de Operações da covid-19, declarou que os números são sempre tratados com cautela, mas que podem variar. "Eles sempre serão variáveis. O que nos interessa é que pouco a pouco as estratégias adotadas nos deem tempo para controlar o impacto da doença", afirmou. 

Zamora, por sua vez, disse que as autoridades "estão enfrentando uma epidemia que não vimos nunca em nossa história "e que, além disso," tem a característica que está sendo vivida em tempo real ". / EFE

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