Governo do Quênia aceita nova eleição se Justiça exigir

Segundo funcionário da ONU citado pela BBC, mais de 500 mil pessoas precisam de ajuda urgente no país

WANGUI KANINA E BARRY MOODY, REUTERS

04 de janeiro de 2008 | 14h36

A violência diminuiu de intensidade nesta sexta-feira, 4, no Quênia e o governo disse estar disposto a aceitar a reedição das eleições, desde que ela seja determinada pela Justiça. O país mergulhou em uma onda de confrontos étnicos e políticos depois das eleições de 27 de dezembro, ganhas pelo atual presidente e contestadas pela oposição.   Veja também: Entenda a crise no Quênia Oposição pede nova eleição presidencial A ONU afirmou que está com dificuldades para levar alimentos a 100 mil pessoas que fugiram para o oeste do país com medo da violência. Mas, segundo um diplomata da organização citado pela BBC, mais de 500 mil pessoas precisam de ajuda urgente no país. Ao todo 350 pessoas morreram nos últimos dias vítimas da violência. Exaustos depois de horas de batalha campal com a polícia nas ruas na quinta-feira, os manifestantes resolveram não fazer protestos em Nairóbi na sexta-feira. "Estamos cansados", disse Samuel Muhati, morador da favela de Mathare. "Chega de luta." "Aceitaríamos até uma outra eleição, desde que a Constituição seja seguida. Se os tribunais assim decidirem, aceitaremos", afirmou Alfred Mutua, porta-voz do presidente Mwai Kibaki. A oposição, comandada por Raila Odinga, acusa Kibaki de ter fraudado o pleito, e diz que os tribunais estão tomados por aliados do presidente, o que faria um recurso jurídico levar anos. Pelo menos 300 pessoas morreram na onda de violência que se seguiu ao anúncio do resultado da eleição. Trinta delas foram queimadas vivas dentro de uma igreja.   Tutu  O Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu, que tenta mediar uma solução para o conflito, afirmou que Kibaki está disposto a formar um governo de coalizão se a oposição aceitar suas condições. "Há bastante esperança", afirmou Tutu. Apesar da aparente calma em Nairóbi, a polícia usou gás lacrimogêneo no porto de Mombasa para dispersar cerca de 500 manifestantes muçulmanos antigoverno. Na sexta-feira, a França deu seu apoio à oposição. "Houve ou não fraude nas eleições? Acho que sim, muitos acham, os americanos acham, os britânicos acham, e eles conhecem bem o país", disse o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner. O secretário-assistente de Estado dos EUA Jendayi Frazer chega a Nairóbi na sexta-feira para se reunir com Kibaki e Odinga. (Reportagem adicional de Andrew Cawthorne, Nicolo Gnecchi, Katie Nguyen, Daniel Wallis, Helen Nyambura-Mwaura, George Obulutsa, Njuwa Maina, Joseph Sudah, Wangui Kanina, Duncan Miriri e Bryson Hull)

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