Governo do Quênia descarta realizar novas eleições

Porta-voz do presidente afirma que novo pleito será realizado somente se a Justiça determinar

Agências internacionais,

04 de janeiro de 2008 | 12h19

O governo do Quênia anunciou nesta sexta-feira, 4, que não convocará novas eleições presidenciais em um prazo de três meses, como exige a oposição, que impugnou a reeleição do presidente Mwai Kibaki. Mais cedo, o chefe de governo aceitará uma nova votação da contestada eleição que espalhou violência pelo país se um tribunal assim determinar, segundo informou seu porta-voz.  Veja também:Entenda a crise no QuêniaOposição pede nova eleição presidencial "O governo não cederá a qualquer chantagem. As pessoas devem parar de usar a violência como forma de chantagem" para obter novas eleições, declarou o porta-voz Alfred Mutua, acrescentando que uma decisão dessa deveria ser exigida por uma ordem judicial. "Aceitaríamos até outra eleição, contanto que a Constituição seja seguida", disse à Reuters Alfred Mútua. O Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, se reuniu nesta sexta-feira com o presidente Kibaki, em meio à rodada de conversações que mantém com dirigentes locais, após o encontro que teve na quinta-feira com o líder da oposição, Raila Odinga. Tutu afirmou que o governo está aberto para a idéia de um governo de coalizão com os oposicionistas para encerrar o conflito político, desde que a oposição conheça os seus termos. A segurança foi reforçada em Nairóbi, capital do Quênia, nesta sexta-feira, para impedir novos protestos contra a reeleição do presidente Mwai Kibaki. Os partidos da oposição afirmam que pretendem levar adiante a manifestação, depois que a polícia dispersou o comício convocado na quinta-feira. A polícia patrulhava o parque Uhuru (liberdade), para onde o ato estava programado, desde as primeiras horas de sexta-feira. Embora o protesto estivesse marcado para as 10h (5h pelo horário de Brasília), os líderes da oposição não tinham chegado a seu ponto de encontro até aquele momento, e nas favelas as pessoas permaneciam em suas casas. Na quinta-feira, os manifestantes lutaram durante horas para chegar até o parque, mas foram contidos pela polícia, que usou gás lacrimogêneo, mangueiras de água e tiros de advertência.  A oposição acusa o governo de ter fraudado as eleições presidenciais do último dia 27. Mais de 300 pessoas foram mortas na onda de violência que se seguiu e 100 mil tiveram que deixar suas casas, desde domingo. "Estamos cansados, não vamos fazer passeata", disse Samuel Muhati, morador da favela de Mathare, onde milhares de manifestantes enfrentaram a polícia na quinta-feira. "Chega de luta." A onda de violência com motivos étnicos e quebra-quebras na maior economia da África chocou o mundo e pôs em risco a reputação do Quênia de ser uma das democracias mais promissoras do turbulento continente.

Tudo o que sabemos sobre:
Quêniacrise política

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.