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Governo do Quênia rejeita mediador escolhido por Kofi Annan

Ramaphosa teria sido recusado devido a reservas do governo e do Partido da Unidade Nacional

AE-AP

04 de fevereiro de 2008 | 13h37

O ex-secretário-geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, informou nesta segunda-feira, 4, que o governo do Quênia e o partido do presidente Mwai Kibaki rejeitaram o mediador escolhido por ele para dirigir as negociações que buscam encerrar a violência gerada pelas eleições de dezembro.  Annan disse em um comunicado que Cyril Ramaphosa, empresário sul-africano que teve um importante papel nas negociações de seu país para colocar fim ao apartheid, foi afastado "devido a reservas do governo e do Partido da Unidade Nacional" e que o afastamento foi aceito com pesar. Não se sabe ainda qual efeito isso terá nas negociações, que um porta-voz da ONU disse que continuam sem Ramaphosa. Representantes de Kibaki e do líder da oposição Raila Odinga concordaram na sexta-feira a agir imediatamente para pôr fim à violência e disseram que iriam concluir as negociações em 15 dias, com medidas para resolver a crise política. Annan disse que mais de um ano seria necessário para resolver os problemas profundos. Desde as eleições de dezembro, acusadas de fraude por Odinga, mais de 800 pessoas morreram em confrontos e cerca de 300 mil já abandonaram suas casas temendo a violência. Kibaki acusa seus oponentes de orquestrarem a violência e Ondinga insiste que Kibaki deve deixar o poder. Kibaki afirma que sua posição é inegociável. Americanos, britânicos e outras autoridades sugeriram que os dois partilhem o poder para resolver a crise.  Ramaphosa declarou que não poderia funcionar como mediador "sem o completo apoio das duas partes" e que voltaria para a África do Sul. "Acho que devo me retirar e voltar para a África do Sul para não me tornar um obstáculo. Eu parto desapontado porque assim como todos os países na África, o Quênia é um país muito especial e acredito ser importante que as pessoas do país encontrem soluções para seus problemas", Ramaphosa disse para jornalistas.  A notícia da sua partida foi divulgada enquanto combates étnicos explodiam no oeste do país, região das piores atrocidades cometidas desde as eleições. Ao menos sete pessoas morreram desde domingo, 3, em batalhas entre as etnias kisii e kalenjin disse o comissário do distrito de Sotik, Humphrey Nakitare.  Os combates continuaram nesta segunda-feira, com centenas de jovens de grupos rivais - armados com arcos e flechas e machetes - atacando-se em uma região onde mais de 2 mil pessoas deixaram suas casas em nove dias de lutas, segundo o comissário da província do vale do Rift, Hassan Noor.  No domingo, o líder da oposição Odinga pediu que forças de paz internacionais ajudem a acalmar o combate. "A União Africana (UA) deveria trazer forças de paz porque a violência no Quênia é aterrorizante", Odinga declarou em uma entrevista na sua casa na cidade de Chebalat, no oeste do país.

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