Governo do Sudão assina acordo com rebeldes de Darfur

Acordo fechado no Catar prevê troca de prisioneiros e fim da violência em campos de refugiados.

BBC Brasil, BBC

17 de fevereiro de 2009 | 08h30

O governo do Sudão e o Movimento de Justiça e Igualdade (o grupo rebelde mais ativo da região de Darfur, no oeste do país) assinaram nesta terça-feira em Doha, no Catar, um acordo que abre caminho para negociações mais amplas para o fim de um conflito que já dura seis anos e, segundo estimativas das Nações Unidas (ONU), matou 300 mil pessoas. O emissário sudanês à ONU em Nova York, Abdalmahmood Abdalhaleem Mohamad, disse à BBC que o acordo seria "um progresso notável"."Ele também aborda questões como a segurança de deslocados (refugiados dentro do próprio país) e civis, e sobre isso haverá uma retomada de discussões detalhadas dentro de duas semanas", disse o representante do governo do Sudão.Um porta-voz do Movimento de Justiça e Igualdade em Londres, Haroun Abdul Hami, disse à BBC que "o ponto mais importante é acabar com a intimidação do nosso povo nos acampamentos (...) e (o governo) não deve impedir a (entrega) de ajuda humanitária ao nosso povo". Há notícia de que o acordo no Catar prevê o fim da violência nos campos de refugiados que abrigam mais de 2 milhões de pessoas em Darfur, garantias para a distribuição segura de ajuda humanitária e uma troca de prisioneiros. Este é o primeiro sinal de progresso nas negociações entre governo e grupos rebeldes desde o fracasso de uma iniciativa de paz em 2006. O acordo foi fechado depois de vários dias de conversações no Catar. A iniciativa vem antes da decisão do Tribunal Penal Internacional sobre uma eventual emissão de um mandado de prisão contra o presidente sudanês, Omar Al-Bashir, por supostos crimes de guerra em Darfur. Uma decisão sobre Bashir deve ser anunciada na semana que vem.O especialista da BBC para assuntos africanos Martin Plaut, disse que, ao fechar o acordo agora, o governo sudanês está procurando sensibilizar a comunidade internacional, em particular o novo governo dos Estados Unidos, na esperança de evitar o indiciamento de Bashir.Plaut destaca, contudo, que é necessário fazer mais para conseguir a paz em Darfur, e que outros grupos rebeldes terão que se unir ao processo. Estes grupos, entretanto, estão se recusando a dialogar com o governo.Os combates no Sudão começaram depois que grupos africanos se queixaram de discriminação por parte do governo dominado por sudaneses de origem árabe se rebelaram.O governo sudanês, de origem árabe, admite ter mobilizado "milícias defensivas" em resposta à ação dos rebeldes, embora negue ligações com a milícia Janjaweed, acusada de tentar dizimar os sudaneses de etnias negras africanas de vastas áreas do país.A força de paz conjunta ONU-União Africana, Unamid, em ação no Sudão, tem apenas 26 mil integrantes - a metade do previsto um ano depois que a ONU assumiu o controle da missão.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
sudãodarfurrebeldeOmar Al-Bashir

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.