Governo do Sudão e rebeldes de Darfur formalizam trégua

O mais poderoso grupo rebelde da região de Darfur e o governo do Sudão assinaram hoje em Doha, Qatar, um acordo de trégua para abrir caminho para negociações políticas com vistas a encerrar um conflito que já dura sete anos. Khalil Ibrahim, líder do grupo rebelde Movimento Justiça e Igualdade, disse que o cessar-fogo tem início na noite de hoje, pelo horário local.

AE, Agencia Estado

23 de fevereiro de 2010 | 19h49

Ibrahim qualificou o acordo como "um passo importante", mas advertiu que o caminho para a paz demanda paciência e concessões de ambos os lados. A melhora das relações entre o Sudão e o Chade, que no passado acusaram-se mutuamente de apoiar grupos rebeldes, ajudou a busca pelo acordo.

O Qatar, anfitrião da cerimônia, anunciou o estabelecimento de um fundo de US$ 1,5 bilhão para ajudar o desenvolvimento de Darfur, no oeste sudanês. O pacto oferece ao Movimento Justiça e Igualdade participação no governo do Sudão. O artigo terceiro do acordo, cuja cópia foi enviada para a agência France Presse, diz que o governo sudanês e o grupo rebelde concordaram com "a participação do Movimento Justiça e Igualdade em todos os níveis de poder (executivo e legislativo)".

O acordo de cessar-fogo diz que os termos devem "contar com o apoio dos dois lados". O artigo quarto do documento, assinado hoje na capital do Qatar, estipula que os dois lados concordem que o principal grupo armado rebelde de Darfur, torne-se um partido político.

"O Movimento Justiça e Igualdade vai se tornar um partido político tão logo o acordo final seja assinado entre as duas partes" até 15 de março, antes das eleições de abril, as primeiras a acontecerem no Sudão em 24 anos. No sábado, representantes do governo de Cartum e do Movimento Justiça e Igualdade já haviam chegado à base de um acordo no Chade, declarando um "cessar-fogo" após sete anos de um devastador conflito em Darfur.

A violência começou quando integrantes de tribos africanas da região pegaram em armas e rebelaram-se contra o governo sudanês. As tribos africanas queixam-se de décadas de negligência e discriminação. O governo iniciou então uma contrainsurgência durante a qual uma milícia árabe cometeu atrocidades contra a comunidade africana.

Debate-se há anos se o conflito entre o governo sudanês, dominado por árabes, e os rebeldes de etnias africanas em Darfur pode ou não ser qualificado como genocídio. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu antecessor, George W. Bush, referem-se à situação como tal, mas a Organização das Nações Unidas (ONU), não. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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