Arquivo/AP
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Governo do Sudão nomeia gabinete em meio a aumento de violência

Apenas em maio, 447 morreram em Darfur; referendo pode separar norte e sul do país

Reuters,

14 de junho de 2010 | 18h01

CARTUM- O presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, nomeou nesta segunda-feira, 14, seu novo gabinete de coalizão, e apontou Lual Deng, de Darfur, sul do país, no posto chave de ministro do Petróleo, de acordo com uma ordem presidencial a que a Reuters teve acesso.

 

Este é provavelmente o último governo sudanês antes de um referendo de separação entre o norte e o sul do país que deve ocorrer em janeiro de 2011. Assim, o sul produtor de petróleo formaria o mais novo Estado independente da África.

 

A ordem de Bashir divide o ex-Ministério de Energia e Minas em três, com pastas separadas para petróleo, minas e eletricidade.

 

As nomeações ocorreram dois meses após Bashir, o único presidente procurado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), ter sido reeleito.

 

O líder sudanês, que nega as acusações de assassinato em massa e outras atrocidades cometidas durante a guerra civil contra Darfur, conseguiu se reeleger com 68% dos votos em eleições acusadas pela oposição de serem fraudulentas, já que, segundo os oposicionistas, Bashir intimidou eleitores tanto no sul como no norte do Sudão.

 

Darfur

 

O Conselho de Segurança da ONU expressou nesta segunda grande preocupação pelo aumento da violência na região da Darfur, a qual um enviado da organização afirmou estar dificultando a proteção e ajuda para civis.

 

O enviado, Ibrahim Gambari, disse ao conselho que 447 pessoas morreram apenas em maio, e apontou um "grande crescimento" nos confrontos entre o governo do Sudão e rebeldes de Darfur.

 

Gambari, chefe da missão de paz conjunta da ONU e da União Africana em Darfur, a Unamid, disse que era provável que os enfrentamentos "continuem por um bom tempo a menos que sejam feitos esforços urgentes pela comunidade internacional para garantir um cessar-fogo".

 

O conflito de Darfur começou em 2003, quando a maioria de facções rebeldes não-árabes pegaram em armas contra o governo do Sudão, o acusando de negligenciar o desenvolvimento da região. Cartum mobilizou milícias árabes para conter os rebeldes.

 

A violência aumentou desde que um dos principais grupos rebeldes, o Movimento pela Justiça e Liberdade (JEM, na sigla em inglês), se retirou das conversações de paz.

 

Em um comunicado assinado após reuniões, as 15 nações membros do CS da ONU manifestaram "grave preocupação com o aumento da violência em Darfur e o alto número de baixas civis".

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