Governo do Uzbequistão ordena que Acnur feche escritório

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou nesta terça-feira que fechou seu escritório no Uzbequistão por ordem do governo do país, que disse que o trabalho da organização deixou de ser necessário. "Após 13 anos, o Acnur fechou seu escritório no Uzbequistão na segunda-feira, por causa do ultimato dado há um mês pelo governo uzbeque", anunciou a porta-voz da entidade vinculada à ONU em Genebra, Jennifer Pagonis. Em entrevista coletiva, a porta-voz lamentou a expulsão porque "ainda há muitos refugiados que continuam dependendo da assistência do Acnur", mas disse que a agência humanitária "só trabalha em um país se houver um convite e com o apoio do governo". "Por isso, em algumas oportunidades tão excepcionais como esta, se somos convidados a sair, saímos", declarou a porta-voz do Acnur, que tentou alcançar acordos alternativos com as autoridades usbeques durante as últimas semanas para garantir o auxílio aos 1.800 refugiados que a organização ajudava. A maior parte dos refugiados são afegãos e o escritório do Acnur, dirigido pelo ex-primeiro-ministro português António Guterres, se encarregava de facilitar a repatriação destes indivíduos. A porta-voz também expressou sua preocupação pelo destino do grande número de pessoas desta nacionalidade que pediram asilo após ficarem presos na Comunidade dos Estados Independentes (CEI), organismo integrado pela Rússia e várias das antigas repúblicas soviéticas, e que agora foram forçados a retornar ao Uzbequistão. Além disso, a organização ajudou, a voltar para casa, mais de 400 refugiados usbeques que deixaram o país e foram para o Quirguistão depois que, em maio de 2005, o exército do Uzbequistão recorreu à força para acabar com as revoltas de Andijan, nas quais cerca de 500 pessoas morreram. Desses refugiados, 200 foram apoiados pelo governo da Romênia, enquanto outros 228 ainda aguardam um destino e pelo menos outros 11 conseguiram refúgio no Quirguistão. O escritório do Acnur na capital do país, Tashkent, foi aberto em 1993 para apoiar as operações da organização durante a guerra civil em 1992 e 1993 no Tadjiquistão e no norte do Afeganistão. O Acnur recebeu a ordem de retirada na última segunda-feira, por meio de uma mensagem do Ministério de Relações Exteriores sob o pretexto de que a agência já tinha completado o seu trabalho na região e que não havia "razões" para prolongar sua presença no país. Assim foi pedido que a entidade fechasse seu escritório em um mês. O Uzbequistão é o único país da CEI que não faz parte nem da Convenção sobre os Refugiados de 1951 nem de seu protocolo de 1967, além de não ter legislação nacional ou administrativa sobre o procedimento de asilo.

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