Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Governo dos EUA acerta detalhes sobre coleta de DNA de imigrantes ilegais

Medida passa a valer no dia 8 de abril; quando norma entrar em vigor, material será enviado ao FBI, para que seja armazenado na base nacional de dados criminais

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 16h30

WASHINGTON - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos confirmou nesta sexta-feira, 6, que anunciará na próxima semana as normas para o armazenamento de amostras de DNA de imigrantes ilegais.

A partir da próxima segunda-feira, 9, com o detalhamento da medida, a sociedade civil terá 30 dias para apresentar comentários antes que a medida passe a valer, no dia 8 de abril.

Em 6 de janeiro, a Patrulha Fronteiriça americana começou a coletar amostras de DNA de qualquer pessoa sob custódia, usando cotonetes ou palitos que são passados na parte superior do interior das bochechas, segundo o Departamento de Segurança Nacional.

Quando as novas normas entrarem em vigor, o material será enviado ao FBI, para que seja armazenado na base nacional de dados criminais, segundo explicou uma fonte do Departamento de Justiça à Agência Efe.

"A coleta deste DNA é apenas para propósito de guardar na base de dados do FBI, não para usá-lo em nenhum outro sentido", disse um funcionário do órgão, que pediu anonimato.

A medida é questionada por grupos de defesa de direitos humanos, que são contra o governo obter informação pessoal confidencial de pessoas que não cometeram qualquer crime.

"O Congresso deveria evitar imediatamente que os dólares dos contribuintes sejam utilizados para financiar este programa xenófobo, que busca desumanizar ainda mais os imigrantes detidos", afirmou Naureen Shah, da União Americana de Liberdades Civis.

Além disso, algumas entidades entendem que esse pode ser um primeiro passo para que também seja armazenado o DNA de cidadãos americanos, que por vezes são detidos temporariamente por algum erro das autoridades de imigração.

O governo de Donald Trump, no entanto, entende que cruzar a fronteira ilegalmente é um crime, por isso, acredita ter autoridade para recolher amostra de DNA dos detidos. /EFE

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