Governo dos EUA divulgará documentos mantidos em sigilo

O Governo dos Estados Unidos, em cumprimento de uma lei promulgada durante o mandato de Bill Clinton, divulgará, a partir de 1º de janeiro, mais de 270 milhões de páginas de documentos mantidos em sigilo por até 25 anos.Os documentos, que pertencem à Casa Branca e a diversas agênciasdo Governo, tratam de assuntos nacionais e de política internacional, e datam de antes de 1982.Antes que a lei fosse modificada durante a gestão de Clinton, hámais de uma década, estes documentos podiam ser mantidos em segredopor até 40 anos.Processo gradualA divulgação dos documentos não será imediata: cada agência iniciará um processo de seleção para determinar que páginas ou passagens dos documentos ainda serão mantidas em segredo.Entre os processos históricos que podem estar relacionados com alguns destes documentos estão os numerosos regimes militares na América Latina, e, especialmente, informações que os EUA teriam sobre a "Operação Condor".Essa operação consistiu na coordenação dos regimes militares do sul da América para a captura, tortura, seqüestro e assassinato de opositores.A divulgação desses documentos também pode lançar nova luz sobre a participação dos EUA nas guerras civis de El Salvador e Guatemala.Alguns historiadores também esperam encontrar documentação até agora secreta relacionada com a "Resolução do Golfo de Tonkin", que, a partir de 1964, autorizava o Governo a intervir militarmente de maneira cada vez mais intensa no Vietnã.A administração do presidente Lyndon Johnson alegou que, em julho de 1964, um navio de guerra dos EUA havia sido atacado por embarcações do Vietnã do Norte.O Congresso dos EUA, que tem autoridade constitucional exclusiva para a declaração de guerra, não o fez no caso do Vietnã do Norte, mas autorizou Johnson a tomar "todas as medidas necessárias", o que levou ao posterior envio de mais de meio milhão de soldados ao país asiático.

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