Governo dos EUA se mobiliza para defender a Guerra no Iraque

O Governo dos EUA se mobilizou neste domingo com o presidente George W. Bush à frente, para defender o andamento da Guerra do Iraque, que hoje completa seu terceiro ano em meio a manifestações de protesto em várias cidades. Bush se disse "encorajado" pelos progressos no Iraque e convocou os partidos políticos iraquianos a acelerarem as negociações para formar um Governo de união nacional. Em sua volta à Casa Branca depois de passar o fim de semana em Camp David (Maryland), Bush afirmou que conversou com o embaixador americano em Bagdá, Zalmay Khalilzad, que relatou a situação com otimismo. O presidente se referiu ao "terceiro aniversário do começo da libertação do Iraque" para pedir aos cidadãos que "expressem seu agradecimento" pelo sacrifício das tropas. Os EUA mantêm cerca de 130 mil soldados no país árabe. Mais de 2.300 morreram desde o começo da guerra. "Estamos pondo em prática uma estratégia que nos levará à vitória no Iraque, que tornará o país mais seguro e contribuirá para assentar as bases da paz para as gerações futuras", prometeu o presidente. Outras figuras de destaque do Governo falaram no mesmo tom aos meios de comunicação para marcar o aniversário, que coincide com uma escalada da violência no último mês que deixou centenas de mortos e reforçou os temores de uma guerra civil no país. Na imprensa Em um artigo publicado neste domingo no jornal The Washington Post, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, garantiu que "agora é o momento de mostrar determinação, não de se retirar". Para ele, abandonar o Iraque "seria o equivalente moderno a devolver a Alemanha do pós-guerra aos nazistas". Em uma participação no programa "Face The Nation" da rede CBS, o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, descartou que o Iraque esteja submerso em uma guerra civil e considerou que os atos de violência demonstram que "os terroristas chegaram a um estado de desespero". "O que vimos é uma tentativa séria de fomentar uma guerra civil, mas não acredito que tenham êxito", sustentou Cheney. Ele atribuiu a opinião cada vez mais negativa dos americanos sobre a guerra às imagens de violência na televisão. Segundo o vice-presidente, as redes deixam de mostrar "todo o trabalho desse mesmo dia em outras 15 províncias" iraquianas. Já o comandante das forças americanas no Iraque, general George Casey, disse à NBC que o efetivo será mantido no país por mais alguns anos, mas seu contingente será reduzido na medida em que os soldados iraquianos possam se responsabilizar pela segurança. De acordo com as últimas pesquisas, menos de 40% dos americanos consideram que a guerra vai bem para os Estados Unidos. A percepção levou o presidente George W. Bush aos mais baixos índices de popularidade de seus cinco anos de mandato, entre 33% e 37%. Agenda da guerra Bush pretende continuar sua campanha de defesa da guerra nesta segunda, em Cleveland (Ohio), com um discurso em que, de acordo com a Casa Branca, dará "exemplos concretos" da colaboração entre EUA e Iraque para devolver a calma ao país árabe. Ao longo do dia, foram convocadas manifestações contra a guerra em diversas cidades do país. Já no sábado, cerca de sete mil pessoas se manifestaram contra o conflito no centro de Chicago, e outras mil em Times Square, em Nova York. O congressista democrata John Murtha, um dos mais importantes opositores da guerra, reiterou hoje sua proposta para a saída do Iraque em um prazo de seis meses.

Agencia Estado,

19 Março 2006 | 22h21

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