Governo e economia venezuelanos perto do colapso total

A única questão agora é saber o que entrará totalmente em colapso antes, o governo ou a economia da Venezuela. A palavra-chave é "completamente", pois ambos já estão nos estertores. Quem está no poder, afinal, não costuma ter um bom desempenho, quando, segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia recua 10% num ano, mais 6% no outro, e a inflação explode para 720%. Não surpreende, então, que os mercados estejam prevendo uma moratória. O país está falido.

Matt O'Brien, Washington Post

30 Janeiro 2016 | 02h02

O primeiro passo foi de Hugo Chávez, que começou a gastar mais, fixando o preço da gasolina em US$ 0,02 e distribuindo moradias gratuitas. O restante é a conhecida história dos problemas fiscais. Preços do petróleo de três dígitos não foram suficientes para evitar que a Venezuela saísse do vermelho, pois gastava mais, mas produzia menos petróleo bruto. Quando os recursos acabaram, ela fez o que todo país mal administrado faz: imprimiu dinheiro até tornar-se uma quantidade maior do que se possa imaginar quando o petróleo começou a cair, em meados de 2014.

A situação deverá piorar. Nicolás Maduro mudou a lei para que a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, não possa demitir o atual presidente do Banco Central. Ele também escolheu alguém que nem acredita que a inflação exista para o cargo de czar da economia do país. A Venezuela continuará imprimindo dinheiro. Mas, por enquanto, pelo menos, um fantasma paira sobre o país - o de suas fracassadas políticas econômicas./ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

*É jornalista do Washington Post

Mais conteúdo sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.