Governo e Farc abrem hoje diálogo de paz em Havana

Negociadores tentam chegar a acordo para que a guerrilha deponha as armas e se converta em partido político legal

BOGOTÁ, / REUTERS, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h04

Representantes do governo colombiano e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) iniciam hoje em Havana um diálogo para tentar alcançar um acordo de paz. A negociação foi oficialmente aberta em Oslo, na Noruega, no dia 18, mas as negociações efetivas ocorrerão entre hoje e quinta-feira na capital cubana. Cuba e Noruega são os países mediadores.

A delegação do governo da Colômbia partiu ontem da capital, Bogotá. Os cerca de 30 negociadores da guerrilha, liderados por Iván Márquez, já estavam em Cuba. As conversas começam após um adiamento de quatro dias - a data inicialmente prevista era o dia 15.

O chefe da equipe do governo, Humberto de la Calle, disse ontem que o presidente Juan Manuel Santos mantém as esperanças, mas não alimenta otimismo. "Iniciamos o diálogo sem criar falsas expectativas. Somos conscientes da dificuldade do desafio, mas acreditamos firmemente que há uma oportunidade real para superar um conflito de 50 anos", afirmou.

As primeiras dificuldades no processo de paz surgiram quando os guerrilheiros exigiram um cessar-fogo do governo já durante as negociações. Santos rejeitou o pedido e disse que o fim dos ataques das Forças Armadas à guerrilha das Farc deve ser o resultado das conversas, e não uma condição.

O negociador-chefe repetiu que o desarmamento ao final do processo abrirá caminho para a participação política. "O momento é de definições, não de discursos. O governo quer o fim do conflito como um primeiro passo para avançar na construção de uma paz estável e, neste cenário, as Farc acabem transformadas em um partido político legal", disse.

Apesar de um gradual enfraquecimento - em dez anos, o efetivo das Farc caiu de 17 mil para 9 mil homens -, a guerrilha ainda mostra força em ataques nas regiões montanhosas da Colômbia.

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