Governo e indígenas radicalizam posições no Equador

O líder da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), Luis Macas, rejeitou nesta quinta-feira o pedido do presidente Alfredo Palacio para acabar com os protestos contra os tratados bilaterais de comércio - ou TLC como são conhecidos - do país com os EUA. "Não haverá nem diálogo nem contato com o governo", afirmou Macas. Centenas de indígenas fazem bloqueios em estradas com pneus queimados, pedras e troncos de árvores desde segunda-feira. Eles já ameaçaram destituir o presidente Palacio caso o tratado de livre-comércio com os EUA seja assinado. As províncias mais atingidas pelos protestos são Carchi, Imbabura, Pichincha, Cotopaxi, Chimborazo, Azuay e Pastaza. Nessas regiões, a circulação de veículos e de mercadorias está praticamente paralisada. Já Tungurahua, que, por sua vez, demandava repasses de fundos federais ao governo local, abandonou a manifestação nas últimas horas, depois de Quito ter afirmado que enviaria uma verba assistencial de US$ 38 milhões à província. As autoridades da província de Cotopaxi também suspenderam o protesto diante da promessa federal de US$ 8,2 milhões em ajuda emergencial ao governo local. Endurecendo o discurso, o subsecretário de governo, Felipe Vega, que nos últimos dias tentou uma aproximação com os indígenas, reiterou em entrevista ao Canal 4 de televisão a decisão do governo de manter o diálogo, mas advertiu que o TLC é "inegociável". "Não podemos permitir que uma medida de fato, de força, tente barrar um processo que o governo está desenvolvendo com absoluta responsabilidade", disse Vega. Após a entrevista de Vega, Macas exigiu do governo a convocação de um plebiscito para consultar os equatorianos sobre a assinatura do TLC. "Desta forma, poderemos ver a porcentagem da população que rechaça este nefasto tratado", afirmou.

Agencia Estado,

16 Março 2006 | 20h09

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