Governo e oposição assinam acordo para coalizão no Zimbábue

Proposta formal para negociar governo compartilhado encerra crise política de mais de três meses no país

Agências internacionais,

21 de julho de 2008 | 11h38

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder de oposição Morgan Tsvangirai assinaram nesta segunda-feira, 21, um pacto que abre formalmente as negociações para um acordo de partilha de poder. O documento, assinado no primeiro encontro entre Mugabe e Tsvangirai em uma década, estabelece os termos de uma negociação de governo compartilhado com o objetivo de encerrar a grave crise política que se instalou nos últimos meses no país africano.   Mugabe e Tsvangirai assinaram o acordo na presença do presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, que faz a mediação dos contatos entre os dois, durante uma cerimônia realizada em Harare, a capital zimbabuana. O acordo assinado vem à tona depois de um período de três meses de turbulência política durante o qual mais de 120 pessoas morreram e milhares ficaram feridas.   Após a cerimônia, Mbeki disse que o memorando compromete as partes a um "intenso programa de trabalho" para tentar finalizar rapidamente as negociações. "Todos os partidos zimbabuanos reconhecem a urgência dos assuntos que estão discutindo e se comprometeram a completar este processo o mais rápido possível", disse Mbeki aos jornalistas que presenciaram a assinatura do documento.   O presidente Mugabe, que está no poder há 28 anos, disse que o acordo inclui emendas na Constituição do país e algumas leis, todas acertadas com a oposição. Ele ainda afirmou que as negociações dever prosseguir sem a influência da Europa e dos Estados Unidos. Tsvangirai disse que a cerimônia da assinatura do acordo foi uma ocasião muito histórica.   O presidente Mugabe foi derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais realizadas em 29 de março por Tsvangirai, que não obteve, no entanto, o número de votos para uma maioria direta. O segundo turno do pleito aconteceu em 27 de junho, mas Mugabe participou sozinho, pois Tsvangirai se retirou devido à onda de ataques e assassinatos contra os partidários do MDC por parte das milícias leais ao governo com o consentimento das forças de segurança.   Apesar de a comunidade internacional ter considerado ilegítimo o resultado das eleições, Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, assumiu imediatamente o mandato e governa por decreto, pois ainda não convocou o Parlamento, no qual a oposição obteve a maioria nas legislativas realizadas também em março.   Matéria atualizada às 13h50.  

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