Governo e oposição manipularam eleição no Quênia, dizem EUA

Presidente diz que 486 foram mortos nos protestos; Odinga diz que número de vítimas está "perto dos mil"

Associated Press e Reuters,

07 de janeiro de 2008 | 13h35

A enviada dos Estados Unidos Jendayi Frazer afirmou nesta segunda-feira, 7, que as eleições no Quênia realmente foram manipuladas tanto pela oposição como pelo governo do presidente reeleito Mwai Kibaki. A declaração da subsecretária de EUA para Assuntos Africanos foi feita no mesmo dia em que os dois partidos trocaram acusações sobre o número de mortos na onda de violência provocada pela crise política. Oficialmente, Nairóbi admite 486 mortes enquanto o líder oposicionista Raila Odinga fala em até mil vítimas, acirrando ainda mais a tensão no país.   Veja também: Entenda a crise no Quênia   Frazer afirmou que existiram problemas na contagem dos votos provocados pelos dois lados da disputa. Odinga e o presidente Kibaki já expressaram abertura a alguma forma de divisão de poder para resolver a crise. Kibaki foi declarado vencedor das eleições de 27 de dezembro, que Odinga e observadores internacionais consideraram fraudulentas.   Odinga afirmou que a mediação da União Africana (UA) para acabar com a onda de violência surgida no Quênia após as eleições recentes pode começar na quarta-feira. Segundo ele, o líder da UA, John Kufuor, que é também presidente de Gana, chegaria na terça-feira à noite. "Ele estará pronto para comandar as negociações a partir de quarta-feira", disse.   A viagem de Kufuor havia sido repetidamente postergada devido à rejeição do governo à mediação estrangeira. "Agora temos certeza de que a mediação irá começar. Consultamos e decidimos que as manifestações públicas que convocamos estão canceladas", disse Odinga. "Queremos que a mediação ocorra em um ambiente pacífico, e é por isto que cancelamos as manifestações".   Em algumas áreas, protestos contra a reeleição do presidente degeneraram em violência, jogando outras tribos contra a kikuyu, de Kibaki, que há muito domina a política e a economia do Quênia. Num comunicado divulgado hoje, o Ministério de Programas Especiais anunciou que 486 pessoas morreram e cerca de 255 mil perderam suas casas na violência que se seguiu à eleição.   Mais cedo, o líder da oposição no Quênia cancelou os protestos planejados para esta segunda-feira em todo o país em meio a temores de que eles provocariam novos derramamentos de sangue na violência política e étnica que atinge o país africano. Tentativas da oposição de realizar protestos na semana passada foram contidas pela polícia, que usou gás lacrimogêneo, canhões d'água e fez disparos sobre as cabeças dos manifestantes. Grupos de direitos humanos acusaram a polícia de uso excessivo da força e de homicídios injustificados durante a crise.   Odinga, que completa 63 anos na segunda-feira, enfrenta a pressão internacional para não provocar mais violência, mas ao mesmo tempo quer aproveitar o impulso político para depor Kibaki. O governo acusa Odinga de acirrar propositalmente a situação e perpetuar a turbulência.

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