Governo e oposição negam acordo para transição no Zimbábue

Líder da oposição diz que nenhum acordo será feito até que resultado oficial das eleições seja divulgado

Agências internacionais,

01 de abril de 2008 | 15h55

O governo do Zimbábue e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, negaram nesta terça-feira, 1, um possível acordo para a saída do presidente Robert Mugabe. "Isso está fora de discussão", disse Tsvangirai, acrescentando que o Movimento para Mudança Democrática (MDC) não fará nenhum acordo até os resultados oficiais da eleição sejam anunciados.  Veja também:Mugabe negocia possível transição com oposição, diz 'NYT'Dúvida é se Mugabe aceitará veredicto Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos Mais cedo, havia a informação de que conselheiros do presidente Mugabe estariam em negociações com o líder opositor, dando sinais de que o governante que ocupa a Presidência desde 1980 poderia estar preparando a sua saída, segundo o jornal The New York Times. De acordo com a BBC, fontes da oposição já confirmariam que um acordo já foi alcançado e que o partido seria o vencedor do pleito presidencial.  "Não há negociações porque estamos aguardado os resultados da eleição presidencial. Por que precisaríamos manter conversas secretas?", indagou o Ministro da Informação, Bright Matonga. Nenhum resultado oficial foi divulgado. A oposição afirma que o governo estaria atrasando a divulgação dos números para manipular os resultados em favor de Robert Mugabe, líder do país há 28 anos que concorre à reeleição.  De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira, o governante Zanu-PF, o partido de Mugabe, já obteve 53 cadeiras, seguido do opositor MDC, dirigido por Tsvangirai, que alcançou 51 deputados. Mas uma facção dissidente do MDC, liderada por Arthur Mutambara, alcançou outras 5 cadeiras, por isso a oposição reúne conjuntamente 56 deputados dos 109 já eleitos. Fontes do partido governista Zanu-PF disseram ainda nesta terça-feira que Tsvangirai ficou à frente do presidente na eleição presidencial de domingo, mas que os dois ainda deverão disputar um segundo turno. Sob anonimato, duas fontes disseram que as projeções mostram Tsvangirai com 48,3% dos votos, contra 43% de Mugabe. Um terceiro candidato, Simba Makoni, deve ficar com oito%. Haverá segundo turno se nenhum candidato alcançar 51%.  A Rede de Apoio Eleitoral do Zimbábue também projeta vitória de Tsvangirai (49,4 a 41,8%) e a necessidade de um segundo turno. Nesse cenário, Makoni, ex-integrante do Zanu-PF, fica com 8,2%. Caso haja segundo turno dentro de três semanas, a oposição deve se unir contra Mugabe. (Matéria ampliada às 18 horas) 

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