Governo e oposição sírios retomam reunião no domingo

O mediador da ONU que tenta negociar a paz, depois de três anos de guerra civil na Síria, disse que o início das negociações para um acordo entre governo e oposição, que se encontraram neste sábado (25) pela primeira vez em Genebra, é uma conquista que deve ser avaliada em "meio passo". Depois de dois breves encontros cara a cara, "não foi obtido muito".

Agência Estado

25 de janeiro de 2014 | 21h08

Lakhdar Brahimi também disse que a reunião meticulosamente preparada deve continuar neste domingo (26), com foco em ajuda humanitária - o único tema que governo sírio e oposição poderiam concordar em discutir.

"Nós não conseguimos muito, mas vamos continuar", disse Brahimi após cerca de três horas atuando como um amortecedor entre os dois lados. "A situação é muito difícil e muito, muito complicada, e não estamos nos movendo em passos, mas em meio-passo."

Sentados frente a frente em uma mesa em forma de U e separados por Brahimi, o presidente da delegação de Bashar Assad e representantes da Coalizão Nacional Síria evitaram tocar diretamente na guerra que os divide, ou discutir o próprio Assad. Seus movimentos foram coreografados: eles entraram por portas separadas e disseram que se dirigiriam somente a Brahimi, e não um para o outro.

"Um fica à esquerda e outro à direita e falam um com o outro através de mim", disse Brahimi. "Isso é o que acontece em discussões civilizadas".

A conferência de paz destinada a forjar um caminho para fora da guerra civil foi à beira do colapso desde que foi pela primeira vez concebida, há 18 meses. Neste sábado (25), as conversações evitaram a questão principal, o futuro de Assad , com ambos os lados suavizando a abordagem depois de dias da escalada retórica.

Antes do encontro, representantes de Damasco negaram que tivessem aceitado uma proposta para a formação de um governo de transição na Síria, enquanto líderes oposicionistas disseram que insistiriam nesse ponto.

Louay Safi, da coalizão, descreveu as conversações como "consultas - não são negociações". "Não foi fácil para nós sentar com a delegação que representa os assassinos em Damasco, mas nós fizemos isso para o bem do povo sírio e para o bem das crianças sírias", disse Anas al-Abdeh, que estava entre os representantes da coalizão. Ele disse que todos permaneceram calmos durante a primeira breve reunião em que só Brahimi falou.

Segundo diplomatas, apenas o fato de conseguir reunir a situação e a oposição da Síria na mesma mesa de negociação já deve ser considerado uma conquista, após três anos de violência que causou a morte de 130 mil pessoas no país. Fonte: Associated Press

Tudo o que sabemos sobre:
SÍRIAREUNIÃO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.