Governo e policiais fecham acordo de reajuste na Bolívia

O governo da Bolívia assinou, neste domingo, um acordo contendo os novos termos salariais que contemplarão os policiais, de acordo com informações do ministro do Interior, Carlos Romero, que acrescentou ainda que os oficiais que estavam amotinados concordaram em encerrar as manifestações nas principais cidades. "O nosso diálogo com a polícia terminou e nós conseguimos fechar um acordo razoável com o objetivo de superar a crise dos últimos dias", disse Romero em uma entrevista coletiva.

PATRICIA LARA, Agência Estado

24 de junho de 2012 | 12h23

"Eu quero dizer aos nossos colegas que nós devemos restabelecer os serviços, com o compromisso de que devemos prover serviço de qualidade e profissionalismo", afirmou o sargento de polícia Edgar Ramos, representante do sindicato da categoria.

O acordo é uma resposta à reivindicação de um aumento de cerca de US$ 32. Os policiais exigiam um aumento na base de remuneração para 2 mil bolivianos, a moeda do país. O valor equivale a cerca de US$ 287, ante uma remuneração atual de US$ 195 por mês.

O acordo também prevê a criação de um escritório de supervisão da polícia, assim como comitês para estudo da revisão de uma lei que impede que os policiais manifestem publicamente suas opiniões e para análise da mudança nas condições para aposentadorias.

O acerto foi conseguido após as forças militares da Bolívia tomarem as ruas das principais cidades do país neste sábado para dispersar o motim policial. A ministra de Comunicações, Amanda Davila, considerou que o motim se assemelhava a um "cenário de golpe" em declaração feita no sábado. "O que chamou a nossa atenção é que a polícia estava colocando armamentos em unidades policiais onde não havia nenhum aparato anteriormente, ao mesmo tempo em que estava pressionando outras unidades a prepararem suas munições", afirmou Amanda.

Mas o sargento Ramos negou que houvesse a intenção de promover um golpe, afirmando que a declaração era totalmente mentirosa.

O motim policial começou na quinta-feira, quando os manifestantes tomaram a sede da polícia de combate a protesto do país e outras oito unidades. Posteriormente, o movimento se alastrou para várias outras unidades do país e centros de comando.

Na sexta-feira, um grupo de 300 policiais em greve, vestidos com roupas civis e com os rostos cobertos, atacaram o Centro Nacional de Inteligência, destruindo janelas e atirando móveis, documentos e computadores para fora. Na sequência, 300 manifestantes atiraram pedras e danificaram janelas na sede da polícia nacional. Os policiais que estavam trabalhando no prédio não impuseram nenhuma resistência. As informações são da Dow Jones.

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